Junho 24, 2009
Diaconia e Ação social – Parte II – Dia 20/06/2009 – Revisão – Pr. Ariovaldo Ramos
(anotações de Eliene de Jesus Bizerra)
A multiplicação dos pães – Lucas 9
10 Quando os apóstolos voltaram, contaram-lhe tudo o que havia feito. E ele, levando-os consigo, retirou-se à parte para uma cidade chamada Betsaida.
11 Mas as multidões, percebendo isto, seguiram-no; e ele as recebeu, e falava-lhes do reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura.
12 Ora, quando o dia começava a declinar, aproximando-se os doze, disseram-lhe: Despede a multidão, para que, indo às aldeias e aos sítios em redor, se hospedem, e achem o que comer; porque aqui estamos em lugar deserto.
13 Mas ele lhes disse: Dai-lhes vós de comer. Responderam eles: Não temos senão cinco pães e dois peixes; salvo se nós formos comprar comida para todo este povo.
14 Pois eram cerca de cinco mil homens. Então disse a seus discípulos: Fazei-os reclinar-se em grupos de cerca de cinqüenta cada um.
15 Assim o fizeram, mandando que todos se reclinassem.
16 E tomando Jesus os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, os abençoou e partiu, e os entregava aos seus discípulos para os porem diante da multidão.
17 Todos, pois, comeram e se fartaram; e foram levantados, do que lhes sobejou, doze cestos de pedaços.
Primeiro, os discípulos reagiram à sua própria fome, depois se dirigiram a Jesus. Primeiro quiseram se livrar do problema, e isto é o anti-diaconato. Fingir-se que o problema não existe ou transformar o problema para o outro.
O preconceito é comum na análise dos problemas sociais. Outra forma é diminuir o embate, esperar. A primeira é só preconceituosa, a segunda tem um quê de ponderação.
Os discípulos optaram pela segunda, reconheceram o problema mas deixaram claro que não tinham como agir. Nesta consideração não tomaram em conta as possibilidades econômicas e a situação do povo. A outra situação é que depois que você entra numa determinada situação dificilmente conseguirá sair. Todas as ponderações têm o seu quê de preconceito.
Que lições podem tirar para a ação diaconal neste texto?
Jesus concordou que havia um problema. Talvez a interferência dos discípulos não tenha sido a mais correta. Jesus ouviu a ponderação sobre a fome, mas não aceitou a sugestão.
13 Mas ele lhes disse: Dai-lhes vós de comer.
Na intervenção para a solução do problema, umas séries de questões surgirão no percurso, e serão inevitáveis e imponderáveis.
Quando Jesus diz: Dai-lhes de comer, ele disse: Façam alguma coisa.
Aqui muda a perspectiva diaconal em relação ao sofrimento. Num primeiro momento o diácono é vítima de compaixão, no segundo o diácono é um ator na situação. E o objetivo é ser solução, ajudar na solução do mesmo.
Jesus fez isso quando começa a propor uma nova maneira de viver. Jesus é ator mas propõe um jeito de viver, marcado pela devoção e fraternidade. Os discípulos agora se tornam atores a partir do conhecimento do reino de Deus.
É um confronto, é um enfrentamento. Você descobre as causas e os causadores. Atuar nas causas é complicado e trabalhoso, mas é tranquilo. Você vai e minora o sofrimento, traz possibilidades sociais. Mas, quando você diagnostica e denuncia, ocorre o enfrentamento. Os causadores não ficam calados.
O concílio da Visão Mundial, inicia-se com uma liturgia. É uma leitura do nome de pessoas que foram martirizadas por ajudar pessoas em situação de risco. É triste saber que os maldosos não têm critérios éticos ou morais. O próprio sistema é mal, privilegiam poucos. É 1 bilhão sem ter comida, 50% de analfabetos... Somente 1 entre 4 pessoas no Brasil sabe realmente entender o que está lendo. É uma questão de administração social. Não é só culpa dos professores. 3 milhões de analfabetos já é problema de sistema segregativo que privilegia a poucos. O capitalismo funciona para 20% dos que estão dentro deles.
Quando você trabalha estatística, os números são violentos, é um genocídio. Na África são 15 mil pessoas por dia que morre. As nações ricas estão destruindo as nações pobres. Há um genocídio no planeta, esta é a palavra proferida por um representante da ONU.
Diaconia é a única saída.
Quando eles, os discípulos, perceberam que a injustiça com as viúvas, eles foram em busca de diáconos.
Todos sofrem, o diácono administra a justiça. Ninguém seja preterido de sua dignidade e dueto: Alimento adequado, administração adequada, moradia, transporte, acesso à convivência social, acesso a Deus.
Diaconia enseja ação missiologica da igreja. A igreja cristã é uma reunião de diáconos. Todo o convertido por Deus se torna um diácono, uma diaconisa. Esta é a grande questão da pregação da sociedade do reino. Só numa sociedade de diáconos você tem fraternidade.
O enfrentamento tem dois elementos: a solução dos problemas e o enfrentamento das causas. Este enfrentamento é coisa para mártir, para testemunharmos até o fim. É um dos grandes problemas de toda ação diaconal num estado moderno. É até onde a ação diaconal é uma extensão do Estado e deve ser consideradas no nível da ação. Ter duas frentes, uma que administra a mitigação do sofrimento, e a outra enfrentam o Estado para conscientizá-lo.
Neste ato de conscientização do Estado, é preciso considerar se os meios pelo qual ele é governado são suficientes para as demandas.
A democracia já não está dando sinais de exaustão?
Não é preciso agregar a ela outros elementos?
Nossa Constituição propôs estender a possibilidade da participação popular. A presidência do Brasil é constituída pelo presidente mais 9 conselhos de Estado.
Política é diaconia pura e simples. Todo ser humano é político e o agente institucional da política é um político. Político é cidadão. Concordamos que a revolução francesa e a divisão em partidos eram suficientes, mas hoje não é mais.
Jesus fez o seguinte, quando os discípulos disseram que não tinha comida, Jesus mandou que eles dessem comida, ou seja, eles ali eram os agentes institucionais. Jesus foi o primeiro a eleger diáconos. A avaliação deles foi: Não temos recurso. E Jesus diz: Interaja com a população. Veja o que a comunidade tem. Entenda-se como facilitador para o encontro da resposta. A resposta está sempre na comunidade.
O diácono é o facilitador, ele anula a sociedade para as suas possibilidades.
A gente só vê o sofrimento e a dos que estamos sentindo. Permitir que o sofrimento dê o tom de sua existência é a pior coisa que pode acontecer ao ser humano.
Foi o sofrimento ter dado o tom da existência, e Jesus Cristo teve que se distanciar da multidão. Ao invés do povo desejar ser a imagem de Jesus, eles pulava para serem curados. Se tornarem pessoas cujo sofrimento deu o tom.
O maior problema da humanidade é saber se Deus existe ou não, porque se Deus existe há um modo certo de viver. Quando tiver a resposta a isso, eu terei resposta como estou vivendo. Toda tese existencialista se sustenta nisso. Se não tem projeto não tem razão para viver. Tanto faz ajudar uma senhora atravessar a rua ou atropelá-la.
Ser gente? Cada um decide. Isto é niilismo. É o sofrimento não percebido, e é o pior. Regula todo senso da existência.
Quando Jesus vinha falar, ele estava tratando este sofrimento não percebido. As pessoas estavam movidas pelo sofrimento percebido (físico) que é aquele que faz os músculos doerem, e que faz o corpo sentir dor. E as pessoas vinham a Jesus com este problema percebido, e não se davam conta do problema não percebido.
A diaconia deve estar atenta a este problema não percebido. Quando os recursos tornam-se inexistente, a pergunta é: O que é isso diante de tanta gente? Não é nada, continua tudo na mesma.
A receita de Jesus é: 1) assuma a responsabilidade diaconal; 2) Diáconos não são superiores, são facilitadores; 3) a resposta está na comunidade, nos recursos disponíveis.
Disponibilidade do envolvimento
Para ser diácono há que se ter disposição e disponibilidade. Não é simples se envolver com o povo. Todas as vezes que você se envolve, você se expõe. É muito mais fácil a postura dos pais do deserto, que não estavam protegidos contra o diabo e contra o mal, e sim das pessoas.
Quando a vocação diaconal morre, você morre porque nada faz sentido.
Cumplicidade com parceiros
Não há a mínima possibilidade de a diaconia ser solitária. Tem que pedir ajuda, achar parceiros. Naquele momento de distribuir os pães, como eles fizeram 5.000 pessoas sentar e ouvir Jesus? Só com parceiros.
Há critérios para parcerias. Se eles escolhessem os que eram iguais a eles, o número seria muito reduzido. Só eles é que eram discípulos, não tinha mais ninguém. Só eles faziam parte da turma. Por isso tiveram que optar pelo critério da graça comum. Apesar da nossa visão de cooperação com Deus, o Espírito Santo está agindo a partir do perdão de Deus. Temos que descobrir estas pessoas em que se percebem sinais da graça comum. E foi encontrando estas pessoas, que os grupos foram divididos em 50 pessoas, para facilitar a distribuição.
Anular a competitividade
Antes eles competiam em quem estaria perto de Jesus. Quem iria vê-lo. E o recado era: Não é possível praticar diaconia num ambiente de competição. Comunidade é cooperação. Jesus criou o corredor do pão. A situação não foi: Os primeiros comem e os outros ouvem notícias! O papel da diaconia é criar soluções a curto, a médio e a longo prazo para ser ação permanente.
Para ser ação imediata e datada. Dependendo o nível de urgência é compreensível, mas no projeto de diaconia há que se criarem corredores para que as coisas possam chegar a quem precisa.
Criar comunidades
Antes era multidão, agora é reunião de 50. E as pessoas agora têm nome. O movimento de massa precisa que a identidade não existe. O sujeito tem que se sentir parte da massa que vai ser manobrada.
O caminho diaconal é de construção de comunidade. Descobrir os recursos, possibilidades e direcioná-las.
Acontecer o milagre
Por fim, o último movimento de Jesus é o do milagre. Será que dá para perceber quanta coisa tem que acontecer antes que ocorra o milagre? Nós o queremos acontecendo em primeiro lugar, mas quando chegamos ao limite é que o milagre virá. O nosso trabalho não será em vão, a multiplicação dos pães virá.
Confiem! Tragam os recursos! Organizem-se!
Este milagre do extraordinário, fala de um milagre maior, que é o ser humano se encontrando, solidarizando-se e unindo-se uns aos outros. Isto é o reino de Deus, Jesus está colocando a ideia do reino de Deus em prática. A partir dos recursos que são colocados diante de Deus. Deus ama a todos.
Agradecer. Confiar no caráter de Deus.
E então, Jesus agradece a Deus. Ele tem esta profunda crença no caráter de Deus.
Qual a questão que salta para nós, quando somos informados que há um ser todo poderoso? É a questão: Ele é bom? Porque se Ele é todo poderoso e não é bom, somos então seus brinquedos preferidos. Uma tragédia grega.
Então, o Deus dos judeus e dos cristãos é bom?
Bom, só dá para ser diácono se acreditarmos que Deus é bom e que sofre conosco. A vida é frágil. Muito frágil. E é rara. Um ser superior sempre criará alguém inferior a Ele. Se ele é bom, aceite a solidariedade dele com o sofrimento, e que ele faz isso a partir do seu próprio sofrimento (Jesus).
Essa é a beleza da proposição cristã: Um Deus que sofre e que prepara um novo céu onde todo sofrimento será anulado.
Não se sabe tanta vida por ai, a vida é frágil. É o resultado de equações que não podem permitir desvios milimétricos.
Um ser que administra tal fragilidade da vida, é preciso ser especial. Através da própria ciência, sabemos que se há um mínimo desvio, na rota da vida ela deixa de existir. A vida é frágil e por isso é rara. E a trindade administra isso, respeitando princípios que não podem ser quebrados.
Se fossemos robôs, seria diferente. Mas, como criou seres volitivos, ele administra as tantas vontades sem perder o foco, o propósito e sem desrespeitar as vontades.
Ele vem até nós com o perdão que Ele estendeu. Ele sabe de tudo antes, mas não definiu tudo antes. Ele não tira o sujeito do poço trazendo-o no ombro para que a pessoa fique em débito com esse bombeiro, mas ele faz com que o outro veja nele um amigo.
É uma complexidade o que estamos vivendo. O último recurso da diaconia é o caráter de Deus. Não é a fé. Deus é bom. Ele vai interferir onde não dá para fazer mais nada mesmo que estejamos inspirados por ele.
Confie no caráter de Deus.
Junho 22, 2009
Vocação - Pr. Ed René Kivitz - 21/06/2009 (noite)
(anotações de Eliene de Jesus Bizerra)
Leitura em Atos 13: 1-3
»ATOS [13]
1 Ora, na igreja em Antioquia havia profetas e mestres, a saber: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes o tetrarca, e Saulo.
2 Enquanto eles ministravam perante o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.
3 Então, depois que jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos, os despediram.
Em Atos 11: 19-26, há um registro de quando o evangelho chega em Antioquia e ali se estabelece uma igreja. Há um grande número de convertidos e discípulos de Jesus, e por isso, os apóstolos enviam para lá Barnabé.
Quando Barnabé chega, vê a graça de Deus operando. Atos 11:
25 Partiu, pois, Barnabé para Tarso, em busca de Saulo;
26 e tendo-o achado, o levou para Antioquia. E durante um ano inteiro reuniram-se naquela igreja e instruíram muita gente; e em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos.
Estando em Antioquia Paulo e Barnabé ensinam durante um ano. E nesta cidade se estabelece uma igreja predominantemente gentílica (sem a presença de judeus), e nesta igreja é que Deus inicia o movimento missionário, ou seja, as três grandes viagens missionária do apóstolo Paulo.
Nestes versículos de Atos 13: 1-3 há um chamamento missionário muito claro, um conceito de vocação. O Espírito Santo diz claramente: "disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado." E o Espírito Santo coloca tarefas específicas para pessoas específicas.
A tarefa que o Espírito Santo colocou na sua mãos essa é a sua vocação.
Por que falar sobre vocação?
Não tenho aqui uma doutrina sobre o assunto, nem algo que é definitivo, apenas tenho uma opinião de experiência pessoal da minha vida ministerial.
A saúde da vida espiritual e o compromisso com Jesus depende de 3 variáveis:
a) Devoção
b) Integridade
c) Engajamento no serviço útil.
a) Devoção: É cuidarmos diante de Deus da nossa interioridade.
É o nosso relacionamento com Deus, e de fato estou falando de vida devocional: Leia a Bíblia e faça oração, como diz o cântico.
Não são apenas estas duas disciplinas espirituais, porque ainda tem o descanso que também faz parte de vida devocional, assim como uma boa dieta, um hábito de ter um diário, de escrever orações, de ter um caderno para anotar os que Deus vai falando etc.
A nossa saúde espiritual depende desta atenção que rotineiramente e periodicamente damos a Deus. Deus é alguém com o qual nos relacionamos.
Para os que temos um relacionamento periódico e rotineiro, nós separamos tempo na agenda. Dedicamos atenção exclusiva a esta pessoa. Por exemplo, a relação conjugal. Há um momento nesta relação em que é necessário desligar rádio, TV, fechar o livro e dar atenção para a pessoa, acolhê-la, abraçá-la, dar resposta a suas necessidades emocionais.
Sem que exista uma comunicação verdadeira, não há relacionamento. Sem tempo e atenção exclusiva, não há intimidade.
E com Deus precisamos dedicar tempo de atenção exclusiva. Para derramar o coração e discernir as circunstâncias. Para que Ele nos discipline, nos repreenda, nos revele segredos. E eu chamo isso de devoção, ouvir, falar, cultivar intimidade com Deus.
Se você não lê a Bíblia e não faz oração ... Comece a se disciplinar, a cultivar este hábito, comece do simples que é Ler a Bíblia e orar.
b) Integridade: a saúde da vida espiritual e o compromisso com Jesus depende de nossa integridade, de nossa vida de santidade.
Uma vida de pureza, afastamento do pecado, sair das trevas, andar em santidade e pureza diante de Deus. É deitar sabendo que a consciência está limpa. O apóstolo Paulo e o salmista diz isso:
I Coríntios 4: 4 Porque, embora em nada me sinta culpado, nem por isso sou justificado; pois quem me julga é o Senhor.
Salmo 19: 12 Quem pode discernir os próprios erros? Purifica-me tu dos que me são ocultos.
Se alguém me diz: Me falta algo. Eu logo me pergunto: Está em pecado? O Espírito Santo está batendo no seu interior e te mostrando alguma falta?
Meu filho me perguntou sobre a seguinte afirmação: Quem vive em pecado vive triste e sem esperança. E eu respondi que não sei quem falou isso, mas eu vejo muito verdade nesta expressão. Se você tem uma gaveta com o que é ilícito e secreto, isso vai tirar a sua alegria.
c) Engajamento no serviço útil: a saúde da vida espiritual e o compromisso com Jesus depende de estarmos engajados no serviço útil.
Depende de estarmos doando ao maior número de pessoas possíveis o que temos. Há uma tarefa e faço da melhor forma que posso fazer.
Você está servindo?
Você está se doando sem querer nada em troca?
Não é a doutrina do "você será feliz se...", mas é que acredito que quando o nosso coração bate fora do compasso do coração de Deus, temos que prestar atenção a estas coisas: 1) eu negligencio este tempo de atenção exclusiva a Deus?; b) eu estou em pecado?; c) eu tenho uma vida egoísta?.
E se não há problema com estas coisas, então só posso sugerir duas outras:
d) caso de psicanalista - busque um profissional;
e) A vida tem dessas coisas.
Se o coração ainda está angustiado, mesmo levando em conta as 3 primeiras, verifique se não faz parte do ônus de viver, ou se não é caso de buscar ajuda profissional.
Falar em vocação é importante porque é uma das três variáveis da nossa responsabilidade, satisfação, alegria em viver no discipulado de Jesus.
E é o que este capítulo está nos esclarecendo. Para entender esta vocação, temos que conhecer a igreja. O pastor Ariovaldo ramos nos ensina que há 3 igrejas no novo testamento:
a) A igreja de Jesus, que são os que se reúnem em nome de Jesus, e podem ser dois ou três, e não importa o lugar. Neste caso não é preciso templo, CNPJ, pode ser na beira da praia ou em qualquer lugar. Isto está baseado em Mateus 18: 20 Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.
b) A igreja dos apóstolos. Já é a igreja organizada, com hierarquia, com códigos de doutrina, que faz assembleia, que precisa de uma estrutura funcional.
c) A igreja do Espírito Santo. Descrita em I Coríntios 12: 4-11.
Esta ministração do Espírito Santo é a todos nós. Em Efésio 4: 15-16 temos uma igreja carismática, da manifestação dos dons espirituais que são distribuídos na igreja. E Ele usa os que estão disponíveis.
Esta é uma igreja dinâmica, animada pelo Espírito Santo.
No passado, acreditava-se que vocação era para gente especial como Paulo, Barnabé, alguns pastores ... gente que estava num degrau acima.
NÃO EXISTEM ESTAS PESSOAS ESPECIAIS, DEUS DÁ PODER E AUTORIDADE A TODOS.
A minha autoridade espiritual está fundamentada em Jesus Cristo, e a sua?
A minha autoridade espiritual está fundamentada em Deus, e a sua?
A minha autoridade espiritual está fundamentada na Bíblia Sagrada, e a sua?
Quando você começa a acreditar que tem gente mais poderosa, você cai numa mentira demoníaca. A nossa distinção não é de autoridade, de poder, é só de função.
Todos tem uma vocação, uma tarefa especial que Deus colocou em nossas mãos.
Como discernir uma vocação?
Na rede de relacionamentos, onde Deus usa a todos, de maneira diferente, ele chama a todos para uma obra. Todos somos obreiros, cooperadores com Deus.
E para responder a esta pergunta, eu ofereço oito sugestões sobre como você sabe que tem uma vocação.
Primeira sugestão: Seu conjunto de talentos, habilidades, capacidades está identificado.
Você sabe o que você sabe.
Você sabe o que você pode.
Você sabe o que você não pode.
Você sabe que responsabilidade você pode assumir.
Você conhece o seu conjunto de talentos.
Hoje acredito que Paulo trataria os dons espirituais como sendo conceito de inteligências múltiplas. Ou seja, você pode ser burro numa coisa, mas é inteligente noutra. Por exemplo: Tem gente que é bom em matemática, mas é burro com o filho. O outro sabe analisar toda a complexidade do comportamento humano, mas a sua vida financeira é uma catástrofe.
Quando você tem seu conjunto de talentos identificado, já é um bom passo para discernir sua vocação.
Peter Drucker: Todos nós somos excepcionais em alguma coisa, bons em outras e medíocres nas demais.
Segunda sugestão: Você sabe que tem uma vocação quando este conjunto de talentos, habilidades, capacidades está disponibilizado de forma organizada e estruturada.
Ou seja, você tem uma rotina para fazer tal coisa, você tem critério para fazer. E se você só fez uma vez na vida, isso não quer dizer que é uma vocação. Vocação é o que você faz sempre.
Terceira sugestão: Você sabe que tem uma vocação quando faz o que faz independente da remuneração.
Se você tivesse que pagar para fazer, você pagaria. É fazer aquilo que te faz bem e se você receber por isso, amém, se não receber continua fazendo. O apóstolo Paulo tinha uma vocação, a de apostolar, mas ele de vez em quando fazia tenda. Outro exemplo foi uma madre que recebia um financiamento de um milionário para fazer uma obra social, quando este milionário foi ver o trabalho de perto e se deparou com a miséria do povo e da situação, ele disse a ela que nem que pagassem a ele, ele faria aquele trabalho. Ela respondeu que também não faria, nem que pagassem, mas ela fazia por uma compulsão divina que a levava a fazer aquele trabalho.
Quarta sugestão: Você sabe que tem uma vocação quando existe uma necessidade no mundo pela qual você se sente responsável.
Quando você se sente responsável por uma instituição, uma causa, um grupo social, uma nação etc. Nem todo mundo precisa se sentir responsável pelas crianças perdidas nas ruas da cidade, ou pelo estado em que se encontra a educação no país, mas alguém vai se sentir responsável por isso.
O meu exemplo é que eu fui até Angola, e não me senti responsável por Angola. Fui até o Senegal, e também não me senti. Mas, quando cheguei em Marrocos... Hoje me sinto responsável, sinto que devo fazer algo por Marrocos. Não sei o que, mas sinto.
Pelo que você se sente responsável?
Quinta sugestão: Você sabe que tem uma vocação quando há algo que você faz e para fazê-lo precisa de mais do que intuição.
Você precisa se especializar, estudar, e se compromete em aperfeiçoar-se. Vai em busca de ferramentas possíveis. Você se dedica a crescer no contexto da sua vocação.
Por exemplo, há vocação em ser mãe. Quando Deus perguntou a Susana Wesley que sua vocação era cuidar de 19 filhos, foi isso que ela fez, e destes 19, dois deles foram responsáveis por um grande reavivamento da igreja, a saber, John Wesley e Charles Wesley.
Hoje vivemos numa sociedade em que se a mulher responde que sua profissão é "do lar", é algo pejorativo. Mas, se você entende que esta é a sua situação... se você entende que sua vocação é 'ser mãe', quantos livros sobre educação de filhos você já leu? Com quais pessoas tem conversado sobre a melhor forma de educá-los?
Sexta sugestão: Você sabe que tem uma vocação quando aquilo que você faz, apesar de todo seu talento, capacidade, habilidade, só pode ser explicado pelo Espírito Santo.
Na sua intimidade, você sabe que o que acontece no seu comprometimento só se explica pela obra do Espírito Santo em sua vida. É quando Deus te leva para algum lugar para servir naquele contexto, e Deus dá o necessário. Você não sabe o que está fazendo ali, mas entende que Deus te enviou para lá.
Sétima sugestão: Você sabe que tem uma vocação quando as pessoas dão feedback e glorificam a Deus pela sua vida.
Dorcas Morreu, e as pessoas foram até os apóstolos pedindo que ressuscitassem aquela mulher.
Quando foi que alguém agradeceu a Deus pela sua vida?
Você sabe que tem uma vocação quando as pessoas glorificam a Deus pela sua vida. A vocação não é um hobbie que você curte ou gosta. Não é que você acha que canta, mas quando canta todo mundo sai de perto. O outro é que diz que você tem vocação.
Oitava sugestão: Você sabe que tem uma vocação quando no final de uma palestra sobre vocação, você não fica com um monte de dúvidas.
Se neste final de mensagem você está com um monte de interrogação na cabeça, é porque você não descobriu sua vocação ainda. Pois, se você conseguiu em alguma das sugestões discernir sua vocação, se em algum momento você disse "Falou comigo!", então você já conhece sua vocação. Caso contrário, pergunte a Deus: Deus o que o senhor quer que eu faça?
Peça a Deus uma vocação.
O compromisso de serviço no reino de Deus que eu chamo de vocação, é uma das coisas que considero ser parte da saúde espiritual e o compromisso com o discipulado de Jesus.
Está faltando algo na sua vida?
Não venha com o papo de que: Eu sei, mas estou dando um tempo.
E muito menos venha pedir a Deus um espaço de tempo para poder servir que a resposta é NÃO.
SERVIR FAZ PARTE DE SUA CURA.
Lembre-se que você sabe que tem vocação quando não precisa ganhar para fazer. O paradoxo do reino de Deus é que pensamos que temos que dar tudo, mas esquecemos que Deus pode nos dar muito mais. Eu já vivi a experiência de marcar um compromisso de pregar em um lugar, e quando chega o dia eu fico frustrado em ter que ir. Mas, quando retorno eu me sinto humilhado, pois Deus me dá muito mais do que eu imaginava.
Sugiro a você uma lição de casa:
- faça uma avaliação de quais são seus hábitos de atenção exclusiva para Deus.
- Faça uma avaliação das gavetas da sua vida, se caso tem algum esqueleto guardado lá. Não brinque com Deus, quem sai perdendo é você.
- Tenha uma conversa séria a respeito de sua vocação. Peça uma ou renove o compromisso de serviço pessoal.
Mas, realize esta lição de casa na sua intimidade, e de joelhos. Deus te dará a recompensa.
Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e,
fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto;
e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
Mateus 6: 6
Diaconia e Ação social – Dia 20/06/2009 – Revisão – Pr. Ariovaldo Ramos
(anotações de Eliene de Jesus Bizerra)
A multiplicação dos pães – Lucas 9
10 Quando os apóstolos voltaram, contaram-lhe tudo o que havia feito. E ele, levando-os consigo, retirou-se à parte para uma cidade chamada Betsaida.
11 Mas as multidões, percebendo isto, seguiram-no; e ele as recebeu, e falava-lhes do reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura.
12 Ora, quando o dia começava a declinar, aproximando-se os doze, disseram-lhe: Despede a multidão, para que, indo às aldeias e aos sítios em redor, se hospedem, e achem o que comer; porque aqui estamos em lugar deserto.
13 Mas ele lhes disse: Dai-lhes vós de comer. Responderam eles: Não temos senão cinco pães e dois peixes; salvo se nós formos comprar comida para todo este povo.
14 Pois eram cerca de cinco mil homens. Então disse a seus discípulos: Fazei-os reclinar-se em grupos de cerca de cinqüenta cada um.
15 Assim o fizeram, mandando que todos se reclinassem.
16 E tomando Jesus os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, os abençoou e partiu, e os entregava aos seus discípulos para os porem diante da multidão.
17 Todos, pois, comeram e se fartaram; e foram levantados, do que lhes sobejou, doze cestos de pedaços.
Diaconia tem a consciência que estamos num vale de lágrimas, e que há sofrimentos de todas as formas. O povo sabia que bastava tocar Jesus para ser liberto e não queriam mais ouvir, por isso Jesus se colocava dentro do barco e ia para bem longe. Jesus já não era mais procurado pelo que era, mas pelo poder que trazia.
Não há como viver sem sofrer. Compaixão é a compreensão de que toda humanidade está sobre sofrimento. O Diabo, quando tenta Jesus, sabia que Jesus estava cansado. Um cansaço que só tem quem tem compaixão.
A realidade do sofrimento conta com dois agentes: os que se aliam se tornam agentes do sofrimento e há os diáconos. A humanidade está dividida entre estes algozes, diáconos e os que sofrem. Todos sofrem, até os algozes e diáconos. Não há como viver sem sofrer.
O diácono é um ser compassivo. E está disposto a assumir o custo do diaconato. Não há nenhum servo de Deus que não colhe suas próprias cicatrizes. E as cicatrizes são suas marcas, marcas de sua história nas trilhas do reino.
Se o diácono não se compadece, não tem diaconia. Não se faz diaconia a partir da necessidade do outro, e sim a partir da compaixão. Um assumir de responsabilidade. A melhor coisa que poderia acontecer diante do sofrimento era fugir. Não enfrentar nada. Mas, se aceitamos o chamado para diaconia, temos então o chamado da identificação com a humanidade e com Cristo. Entendendo que a humanidade vive em sofrimento.
Precisamos de ajuda para saber quem é Deus?
Deus é misericordioso, é na misericórdia que a diaconia começa. O diácono sabe quem é Deus porque é misericordioso. Com a compreensão do estado de sofrimento, a compaixão desorganiza a vida.
Neste texto de Lucas, Jesus tinha uma agenda, e era descansar. Era algo legitimo. Jesus já tinha ministrado a ponto de não ter tempo para comer. Foi um dia exaustivo, avisaram da morte de João, os discípulos voltaram do campo missionário e estavam falando o que aconteceu ... enfim, foi um dia de muita prestação de serviço. Por isso, a agenda era descansar. Porém, a compaixão fez a agenda de Jesus mudar. Desorganizar a agenda. Não há como ser diácono e ser alguém que controla a agenda.
Sofrimento é algo importante e urgente, o tempo todo.
Eu fui coordenador da ação da cidadania contra a fome e pela vida, promovida por Betinho. Organizávamos a distribuição de alimentos no Estado de São Paulo. Era uma trabalheira. Convidei meus amigos da SEPAL para ajudar na campanha. Eles tiveram dificuldade de conviver com a diversidade. Não eram só evangélicos na distribuição, eram pessoas de todos os credos. E foi uma ação muito movimentada e difícil. Mas, era algo urgentíssimo. Hoje nós temos 1 bilhão de pessoas famintas. E numa campanha como esta você pode ser atropelado por gente, e também não pode deixar gente sem socorro.
Compaixão é compreensão no estado do sofrimento ao qual está subsistindo toda humanidade.
Esta realidade bagunça a agenda. Se não estivermos dispostas a ter a agenda bagunçada, não devemos optar por diaconia. Temos que ter sabedoria para saber o que é importante, urgente. E não relegar o importante ao descaso. Jesus conseguiu atender este povo porque não se submeteu a agenda. Isso faz toda diferença na nossa realidade de serviço.
Jesus prestou atenção na necessidade emergencial: Saúde. Todo o povo estava doente. Jesus curou a todos.
Será que aquele povo estava cheio de fé? Era Jesus que estava cheio de compaixão?
A cura é interferência direta de Deus na história. A cura não faz parte do plano da salvação. O que está no plano da salvação é a ressurreição. Ou seja, primeiro somos regenerados emocionalmente, segundo somos transformados emocionalmente e então temos um corpo ressuscitado.
Seres humanos é um poço de emoção, de todo tipo e natureza. São nas nossas emoções que residem nossas enfermidades. As enfermidades corporais nos matam, mas nós iremos ressuscitar, porém, as enfermidades emocionais nos tornam assassinos. E estas enfermidades emocionais não são poucas.
Temos controle sobre as enfermidades do corpo. Há diagnóstico claro, e estão sob controle. No mínimo, se não temos a cura, sabemos o que está acontecendo. Por exemplo, atualmente, a gripe e nível A não tem cura... ainda, pesquisas estão sendo feitas e mais cedo ou mais tarde haverá cura.
As enfermidades emocionais não são assim. Não são diagnosticadas, são presumidas, e depende da teoria. Freud explica de um jeito, Jung de outro, Frankl de outra forma. O fenômeno é particular, não pode ser descrito com precisão.
O projeto principal da transformação é quanto aos problemas emocionais. Nos libertar dos efeitos da morte a partir de nossos delitos. Este é o desafio do Espírito Santo, ele está trabalhando nisto.
Eventualmente, a cura da enfermidade física acontece, mas é a ressurreição que é a cura final. Jesus interferiu na cura física. A compaixão produz este movimento de interferência.
Mas, até onde, como diácono, posso interferir? No que posso interferir? Como posso interferir?
Primeiro: Só posso interferir naquilo que posso dar conta.
Jesus podia dar conta da cura física. O diácono interfere, mede e vê a capacidade de interferência direta. Nós sempre preferimos o desenvolvimento sustentável ao assistencialismo. O assistencialismo é algo direto mas não dá conta do recado. É emergencial. O exemplo é a campanha contra a fome, iniciada por Josué Castro em 1950. Ele escreveu Geografia da Fome. Depois dele, Betinho assumiu esta campanha, mas o problema já tinha se recrudescido, era então emergência máxima. Por isso, ele optou pelo assistencialismo, mesmo com todos resistindo a isso.
É lamentável, o Brasil produz o dobro de alimento que o país pode consumir, quando está na entressafra. O povo passa fome é por maldade mesmo.
A diaconia quando se mete numa situação de emergência precisa saber o tamanho da encrenca, se dá conta, se consegue fazer. A compaixão precisa ser ponderada pela consciência. Pela possibilidade ou não de execução.
Vamos esbarrar com urgências o tempo todo. Para algumas há que se interferir diretamente. É isso ou assistir alguém morrendo na sua frente, o que não recomendo a ninguém.
O que não podemos é transformar o assistencialismo num modus operandis. Se você não dá conta, o nível de frustração é tão grande que na soma dos custos, as perdas serão muito maiores, não porque não ajudamos, mas é que a frustração multiplica a perda. Na frustração o juízo não é ponderado. É um risco que você corre.
Segundo: Diaconia é serviço que prestamos e oração que Deus responde.
A ação de Jesus em Lucas 9, tem um elemento que é o de dar uma dimensão de diaconia que não podemos perder: Diaconia é um serviço que a gente presta, é uma oração que Deus responde. Naquele dia, aqueles enfermos tiveram resposta da oração. Quando você encontra um ser em sofrimento, encontra um ser em oração.
Jesus se colocou como resposta a uma oração. Não dá para ser diácono se não nos dispusermos a ser respostas de Deus. Lidamos com seres humanos diante de Deus com lágrima. E este ser humano não tem consciência de que o sofrimento parte do processo da vida depois da queda do homem, e o Deus que sofre é o Deus triuno. Que aparece revelado em Jesus Cristo. Jesus abraçou o sofrimento para poder acabar com o nosso sofrimento um dia.
Um dia o Deus que sofre acabará com o nosso sofrimento.
O Deus do ‘pare de sofrer’ não é o Deus que aparece em Jesus Cristo. Jesus é o Deus que sofre e que convida-nos ao sofrimento. Temos dificuldade em ter a fé que deveríamos ter.
Pense em José recebendo a ordem de um anjo de pegar a criança e fugir para o Egito? Se fosse nos dias de hoje, a resposta de José seria: Eu não vou fugir, eu sou cabeça e não cauda, e ninguém toca no ungido do Senhor... Hoje em dia, a fé é a capacidade de obter de Deus tudo o que é possível de obter. Fazer tudo o que Deus quer na força de Deus.
É uma noção de fé totalmente diferente. No passado, o crente estava alerta, sabia que era uma batalha. E para além dos sofrimentos particulares ele teria sim sofrimento, só por ter mudado de lado. Só que ele sabia que desta vez ele estava sofrendo pela melhor causa. Esta é a fé antiga.
A fé moderna dia que tudo é controlado por anjos. Já ouvi que um grupo orou para Deus mudar a esquadra de anjos, porque aquela esquadra que estava com eles não esta dando conta. Hoje, a fé diz: Sou intocável.
A fé antiga dizia: Se você não sabe o que é sofrimento, prepare-se para mudar de lado.
Se você é um adepto da fé moderna, sugiro que não seja diácono. O diácono tem a fé antiga que sabe que sofre pela coisa certa. Que é um cooperador com Deus.
É por isso que precisa ter cuidado para não despertar sonhos que não possam ser concretizados, para não gerar frustração que exponencializa-se para o negativo.
Jesus dava conta, por isso o diácono tem que saber até onde dá conta.
O ideal é o próximo passo de Jesus. Ele começa a falar sobre o reino dos céus, que é um novo jeito de pensar, de se organizar. O reino de Deus responde a quatro perguntas que os seres humanos fazem . Antes eram 3 perguntas, agora são 4.
Primeira 1) Quem somos, de onde viemos, porque estamos aqui?
Várias ciências tentam responder a esta pergunta. A medicina, a psicologia, a sociologia etc. É uma pergunta que movimento o ser humano para várias direções.
Segunda 2) Como fazemos para viver juntos?
É o que desenvolve o direito, a política, a economia, as ciências humanas e outras mais.
Terceira 3) O que fazemos com a riqueza que tiramos do planeta?
E encontramos várias teses nas áreas econômicas, administrativas etc.
Enfim, tudo o que estudamos e desenvolvemos é tentando responder estas perguntas. E agora surgiu mais uma.
Quarta 4) Como fazemos para salvar o planeta?
Não imaginávamos que o planeta poderia morrer. Mas, descobrimos que estamos matando o planeta.
Quando Jesus fala do reino dos céus, ele está respondendo estas perguntas, daí a vontade de Deus é feita.
A relação entre a necessidade dos seres humanos e a vontade e Deus é uma relação incontornável. Uma está ligada à outra. Não tem como fugir. Somos de Deus, somos a partir de Deus, vivemos de Deus. Nossa existência se tornou uma impossibilidade, porque rompemos com Deus. Mas, a graça de Deus, que se revela no filho e na habitação do Espírito santo, torna a existência possível.
Quem somos nós?
Somos aqueles que vivemos o impossível, graças às possibilidades de Deus.
Como vivemos juntos?
Jesus veio nos dizer que a única maneira de viver junto é pela fraternidade. É amando que a gente vive. É perdoando que a gente convive. É servindo que a gente estabelece a justiça. E o único jeito de viver e manter um relacionamento é amando, perdoando e servindo.
O que é fraternidade cristã?
É a junção do amor, do perdão e do serviço.
É amar, perdoar e servir ao próximo.
É ser amado, ser perdoado e ser servido.
Como fazemos com a riqueza que tirarmos do planeta?
A resposta de Jesus Cristo é a solidariedade. Quem tem comida reparte, quem tem roupa sobrando reparte. Isso é que gera uma sociedade sustentável.
A diaconia é a ação direta do evangelho. Ela prega o evangelho para viver, e vive o evangelho que prega. E o evangelho é a nossa realidade na cruz e na ressurreição. A perspectiva diaconal é a do desenvolvimento sustentável. Você vê isso na palavra de Cristo ao falar que o reino de Deus é fazer a vontade do Pai, que é a fraternidade, a solidariedade e o amor ao próximo.
A diaconia é o cerne da administração da vida na igreja. É a igreja vivendo igreja. A igreja é uma reunião de diáconos.
Essa é a marca por excelência na vida por alguém que se encontrou com Deus. A marca pública é o diaconato. Há uma marca particular e uma pública. A particular é a devoção, cada um tem seu acesso a Deus, do seu jeito, e é intransferível. Mas, a marca pública é a compaixão, o perdão etc.
O que fazemos para salvar o planeta?
Quando Deus colocou-nos no planeta ele disse para que o dominássemos. Domínio pressupõe método, conteúdo... A pergunta aqui é: Deus deu este método e conteúdo?
Sim, ele colocou-nos num jardim. É o método de transformação e interação. No jardim tem uma comunidade, tem a cooperação (envolve a todos), tem o sacrifício (todos dispostos a poda), e depois a democratização dos recursos (tudo com acesso a todos), também de cumplicidade (se um murcha, o jardim todo murcha), e Sinergia (a beleza do jardim é maior do que a simples soma dos componentes, ou seja, o arranjo faz o jardim bonito). No jardim está pressuposto a busca da harmonia.
Este modelo de progresso que adotamos deve ser revisto, porque destrói o jardim. Precisamos lembrar que neste jardim, nós, os seres humanos, somos os jardineiros e também parte do jardim. Entre os recursos e as possibilidades para administrar, está a nossa possibilidade de abuso. Que a nossa existência não ameace as outras.
A diaconia cristã retoma o jardim e busca nova forma de lidar com o meio ambiente.
(continua, tem a segunda parte que é a mesma quantidade, mas um conteúdo tão surpreendente quanto este)
Junho 17, 2009
14/06/2009 – IBAB – Noite – Pr. Ed René Kivitz (anotações do culto: Eliene Bizerra)
Leitura em Atos 12 : 1-19
1 Por aquele mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar;
2 e matou à espada Tiago, irmão de João.
Num tempo de fome e escassez na terra, o Rei Herodes tenta conter as rebeliões. Mesmo sendo Rei dos judeus, Herodes não ele não serve ao povo judeu, e sim ao imperador de Roma. E a estratégia para conter rebeliões, é o uso da força. Por isso, mata Tiago e persegue a seita chamada cristã. E isso muito agradava a comunidade judaica e cooperava para a passividade da colônia. Neste versículo 2, Tiago é decapitado como João Batista.
3 Vendo que isso agradava aos judeus, continuou, mandando prender também a Pedro. (Eram então os dias dos pães ázimos.)
4 E, havendo-o prendido, lançou-o na prisão, entregando-o a quatro grupos de quatro soldados cada um para o guardarem, tencionando apresentá-lo ao povo depois da páscoa.
5 Pedro, pois, estava guardado na prisão; mas a igreja orava com insistência a Deus por ele.
6 Ora quando Herodes estava para apresentá-lo, nessa mesma noite estava Pedro dormindo entre dois soldados, acorrentado com duas cadeias e as sentinelas diante da porta guardavam a prisão.
Como a morte de Tiago agradou os judeus (v. 3) continuou a perseguição e agora mandou prender Pedro. E o interessante é que Pedro é preso e vai ser decapitado, só que na noite anterior a isto, Pedro consegue dormir. E ele estava muito a vontade, veja os versículos seguintes:
7 E eis que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz resplandeceu na prisão; e ele, tocando no lado de Pedro, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa. E caíram-lhe das mãos as cadeias.
8 Disse-lhe ainda o anjo: Cinge-te e calça as tuas sandálias. E ele o fez. Disse-lhe mais; Cobre-te com a tua capa e segue-me.
Para o anjo ter mandado ele por a roupa e a sandália, é por que ele estava dormindo bem à vontade. E teve que sair correndo, sem saber o que estava acontecendo.
9 Pedro, saindo, o seguia, mesmo sem compreender que era real o que se fazia por intermédio de um anjo, julgando que era uma visão. 10 Depois de terem passado a primeira e a segunda sentinela, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si mesma; e tendo saído, passaram uma rua, e logo o anjo se apartou dele.
Neste texto, nesta história da expansão da igreja, surge um personagem interessante, a saber, um anjo. Os anjos que eram frequência assídua no ministério de Jesus, agora marcam presença na igreja.
Sim, os anjos foram figuras de destaque na vida de Jesus. O anjo fala a Zacarias em Lucas 1: 11; fala com Maria em Lucas 1: 26; um anjo se comunica com José em Mateus 1: 20; testemunharam aos pastores em Lucas 12: 9; um anjo falou em sonho com José e o alerta a respeito da matança das crianças, daí José foge com o menino Jesus em Mateus 2: 13; após ter sido tentado no deserto, Jesus recebe a visita de um anjo em Mateus 4: 11; e Jesus no Jardim, tendo orado em intensa agonia, recebe a visita de anjos que o servem.
Essa presença dos anjos é também considerada, descrita e esclarecida pelos apóstolos. Eles orientam a igreja e a respeitar os anjos. Em I Coríntios 11: 10, as mulheres devem cobrir-se com véu em reverência aos anjos que estão presentes na celebração.
Paulo poderia ter usado o argumento de vestir-se com o véu por causa da presença de Deus, mas não, ele fala a respeito dos anjos. Reverência na celebração coletiva se deve a uma razão simples: Não podemos desperdiçar o momento do encontro da comunidade consigo mesmo, e da comunidade com Deus.
Não sei qual a concepção que você tem sobre o estar reunidos na presença de Deus. Mas, algumas coisas que fazemos na vida, exigem atenção exclusiva. Não são todas, só algumas.
Penso que este momento de culto é uma destas coisas que exigem esta atenção. Cada vez que me reúno com a igreja é que é um encontro diferente de experiência com Deus.
É diferente de um show, espetáculo, em que você fica passivo assistindo. A minha oração é que quando estamos reunidos, seja uma experiência com Deus.
Eu poderia fazer a analogia da intimidade entre o homem e a mulher. Esse é um momento exclusivo e não se faz lista de supermercado, ou se vê TV. Há uma sacralidade neste encontro, e também se deve respeito à outra pessoa.
Paulo não fala nada disso, ele não diz que devemos ser reverentes na celebração em razão da presença de Deus, mas dos anjos. Em Efésios 3: 10 vemos que a igreja é um espetáculo para os anjos. São seres espirituais, potestades. E a igreja é o ambiente, é o palco onde o nome de Deus é reverenciado.
Deus poderia dizer, se assim quisesse, a Satanás e a seus anjos: Vejam! A igreja! É assim que deve ser. Lúcifer, seu coração diante de mim deveria ser assim. Assim é que EU deveria ser adorado. Aprenda com a igreja a servir.
A igreja é um espetáculo os anjos, que estão a seu serviço. E a igreja tem que se dar ao respeito.
Em Hebreus 1: 14 – anjos ministradores da parte de Deus, estão a serviço daqueles que irão herdar a salvação. Os anjos são enviados da parte de Deus para nosso cuidado, provisão, proteção.
Somos cristãos, povo que crê num mundo habitado por espíritos. Os bons que chamamos anjos, os maus que chamamos demônios. Para nós é razoável explicar fenômenos, acontecimentos com a frase: Foi um anjo do Senhor, ou então, É demoníaco. Cremos por exemplo na expressão: Eu não creio em bruxas, mas que elas existem, existem.
Para nós são anjos, são demônios. E em Atos 12, algo assim acontece. Pedro está preso, está escoltado por um grupo de 16 homens que se revezam em 4. Era a Fortaleza de Antonia, Paulo já esteve preso lá. Pedro está preso ali, e algemado. As algemas caem, as portas se abrem, e os soldados não escutam. O prisioneiro sai da cela, e os soldados não percebem. Ele passa pelo meio da guarda, e ninguém vêem. Ele sai pelo portão, e as sentinelas não percebem!
De duas uma, ou os sentidos dos guardas são tocados pelos anjos, ou Pedro fica invisível, mas ele pode ter sido envolvido pelos anjos. Cremos nisso. Cremos que por exemplo, os anjos estão aqui. Há anjos e demônios. Espero que mais anjos.
Anjos nos acompanham pela vida, e não nos damos conta da presença deles.
Em Hebreus 13: 2, lemos que muitos hospedaram anjos, e para mim tem duas explicações:
Primeiro: hospedaram pessoas que fizeram papel de anjo.
Segundo: hospedaram anjos disfarçados de pessoas.
Há pessoas que são usadas por Deus em nossas vidas, como se fossem anjos. Anjos são mensageiros. Deus convoca-os e os manda a um determinado endereço.
Há quem diga que Deus mandou alguém, que falou exatamente o que esta pessoa precisava ouvir, na hora que precisava ouvir. Talvez foi aquele atendente que liberou a passagem, a enfermeira que nunca mais ninguém viu, o companheiro de viagem ... é uma presença que a gente nunca esquece. Alguns encontros ficam marcados para sempre. É o telefonema no dia certo... são pessoas que são anjos.
Não são poucos os que dizem de hóspedes que são anjos em sua casa. E acredito mesmo que há anjos que estão disfarçados de pessoas. É aquela enfermeira que não consta no plantão, ou aquela pessoa na rua que te indica o caminho e depois ninguém mais viu, é alguém que diz que você estava com uma pessoa, quando você não sabe quem estava com você... era então um anjo.
A igreja e Pedro experimentam a presença de um anjo. Tiago foi morto à espada, e Pedro foi liberto por um anjo. Por que um foi morto e outro foi libertado?
Sabemos que entre a morte de Tiago e a libertação de Pedro, tem o versículo 5:
Pedro, pois, estava guardado na prisão; mas a igreja orava com insistência a Deus por ele.
Faço uma pergunta a Deus: Se a igreja estivesse orando por Tiago, teria sido ele liberto? Não sei. O que é claro aqui, Lucas fez questão de narrar que a igreja estava em oração. E a oração da igreja é determinante ou no mínimo, está vinculada à libertação de Pedro.
Primeiro: Nós oramos a Deus, em nome de Jesus por meio do Espírito Santo. João 16: 23; Romanos 8: 26
Segundo: A igreja ora especificamente pela libertação de Pedro. A igreja sempre ora, mas em algum momento, é uma oração específica. Tiago acabou de ser morto, e Pedro foi preso para ser morto. Por isso, a igreja ora intensamente por Pedro. É a oração de súplica, de agonia.
Como Jesus, quanto mais denso e complexo o problema, mais Jesus orava.
Lucas 22: 44 E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que caíam sobre o chão.
A igreja estava orando: Senhor abençoa... e Tiago é preso, ai igreja ora um pouco mais, mas quando a notícia chega, que Tiago foi decapitado... a igreja se apavora e logo sabem de Pedro...
É assim conosco, nós oramos, mas tem motivos que nos levam orar muito mais. A igreja ora, e neste momento a oração está vinculada a visita do anjo.
Veja bem, algumas coisas não acontecem, porque nós não oramos. Deus é que nem você, ele não se mete onde não é chamado.
A oração é invocação para que Deus se mete e se intrometa. “As coincidências acontecem muito mais quando eu oro”.
Veja que a igreja está em oração, e a resposta de Deus é a libertação de Pedro. Quantas coisas deixam de acontecer porque não oramos? Quantas coisas acontecem por nossas orações? Por nossas orações Deus move os seus exércitos. As portas se abrem ou se fecham quando oramos. Na minha fantasia eu acho que o anjo tenta nos ajudar e Deus diz: Não, deixa ele. Ele não pediu. Ele acha que pode sair dessa sozinho. Deixa.
Diz o hino: “Isso é porque não levamos, tudo a Deus em oração”.
Igreja Vamos orar!
Os anjos do senhor são ministradores. A manifestação de dons diz respeito a ministração de anjos (segundo Russel Shedd).
Anjos que falam, tocam, desembaraçam... Eu não sei o que Deus vai fazer em resposta às nossas súplicas. Mas, espero que você diga: Eu tenho orado na intimidade do meu quarto, mas hoje eu vou clamar junto, com a igreja. É uma resposta, é uma dádiva, uma provisão ... não sei.
Tenho certeza que Deus nos dá o que pedimos, ou muda o nosso coração para receber o que Ele tem para nos dar.
A experiência do dia seguinte à oração é a paz de Deus. As respostas e as portas que se abrem são incontáveis.
Junho 16, 2009
Contingência e o vôo 447
Ricardo Gondim
O mundo está em choque. De novo a contingência mostra sua cara na tragédia do vôo da Air France. Vale lembrar: contingência significa que os acontecimentos não são sempre necessários. Quando ocorre alguma coisa sem uma razão que a explique ou justifique. Contingência gera imprevisto; fatos que escapam à engrenagem da causa e do efeito. Um avião cai porque o mundo é contingente, não porque tenha sido vítima do destino ou de um plano de Deus.
Diz-se no senso comum que as pessoas só morrem quando chega a hora. Caso isso fosse verdadeiro, o destino reuniu em uma aeronave as pessoas que deveriam morrer naquele dia. Isso daria à fatalidade um poder apavorante. Impossível pensar que gente de mais de trinta países entrou no vôo 447 sem saber que obedecia a uma força cega, que determinava aquele como o último dia de suas vidas.
Igualmente, acreditar que Deus permite a queda do avião porque tem algum propósito, soa esquisito. Cada pessoa, com histórias, projetos, sonhos, foi arrancada da existência para que se cumprisse qual objetivo? Um objetivo macro? Isto é, para que a humanidade aprendesse ou se arrependesse? Isso faria com que as biografias fossem descartáveis, desprezíveis. O Divino Oleiro, sem precisar se explicar, afogaria tanta gente para conduzir a macro história para o fim glorioso? Sim? Mesmo que exista esse deus, eu não o quero.
Também, algumas pessoas aceitam que Deus tem um plano para cada morte individual. Verdade, ele é Deus, tem todo o poder e é capaz de reunir, em um só lugar, quem deveria morrer. Mas também é bom. Então todos os passageiros foram eleitos para cumprir qual bem? Satisfaz pensar que o bem de ceifar tantas vidas, mesmo sem nenhum sentido do lado de cá, está garantido na eternidade? (Deus sabe o que faz?!?!) Como explicar tal conceito para pais, filhos e parentes desolados? Todos acorrentados à trágica realidade que lhes roubou de seus queridos.
A idéia de que Deus tem um plano para cada morte se esvazia diante dos números. Um avião caiu, mas o que dizer dos incontáveis acidentes de todos os dias? O que dizer das balas perdidas que aleijam transeuntes? E dos erros médicos ou dos acidentes de trânsito? Recentemente uma senhora de nossa comunidade caiu da laje da casa em construção. Ela fotografava a obra para que a filha ajudasse com as despesas do acabamento. Quebrou a coluna e ficou paraplégica. A última explicação que se poderia dar é que Deus tinha um plano em deixá-la paralítica.
Jesus nunca cogitou o mundo sem contingência. Pelo contrário, não atrelou a queda de uma torre aos desígnios divinos; não disse que a cegueira do homem era consequência causal das ações interiores, dele ou de seus pais; advertiu que os seus discípulos enfrentariam tempestade, aflição e morte.
Contingência é o espaço da liberdade, portanto, da condição humana. Sem contingência nos desumanizaríamos. A consciência do risco de adoecer e da imprevisibilidade da morte súbita é o preço que pagamos por nossa humanidade.
O desastre do avião mostra a inutilidade de pensar que o exercício correto da religião e a capacidade tecnológica mais excelente sejam suficientes para anular a contingência. Nossa vida é imprecisa e efêmera. Portanto, vivamos intensamente. Cada instante pode ser o último – Carpe Diem!
Soli Deo Gloria
Cristo é a única esperança
Achei na Internet: a Terra é bem pequena perto do Sol (cerca de 109 vezes menor), mas por sua vez o próprio sol é minúsculo quando comparado com outras estrelas. Aliás, quase some quando comparado à nossa galáxia. Mas nossa própria galáxia é apenas uma ínfima parte do universo cujo tamanho seria de, no mínimo, 93 bilhões de anos-luz.
Embora seja comum ter uma visão de Deus como que restrito a este mundo, a Terra, o apóstolo Paulo nos dá uma pista da grandeza dele ao dizer que “nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17.28). Há uma única Divindade a quem em nossa cultura chamamos de Deus; não é possível haver outra, pois Ele não faz parte do todo, mas é o todo que faz parte dele. A Divindade é absolutamente perfeita em tudo, inclusive em amor.
Pois esse ser infinito em poder e amor quis preparar este cisco de areia cósmica e torná-lo habitável (e aprazível) e nele colocou o ser humano, criado para relacionar-se com Ele. Havia um projeto para o homem. Todo o infinito é sujeito à vontade do Criador, mas essas pulguinhas do grãozinho quiseram fazer prevalecer sua vontade, à revelia da Divindade. O que se narra no capítulo 3 do Gênesis não é apenas comer uma fruta. O grande problema da humanidade é que, ao desobedecer ao nosso Criador colocamos nossa vontade acima da dele – sem perceber, quisemos ser deuses (e na verdade repetimos isto a cada vez que desobedecemos ao menor dos mandamentos). Assim, o homem falhou – criado para ser gente, em sua rebelião tornou-se menos gente e gradativamente foi se desumanizando.
Além dos noticiários que falam “dos outros”, conheço o meu próprio coração. Eu e o resto da humanidade nos afastamos muito do projeto de Deus para nós. Rebeldes contra o Criador, construímos nosso próprio caminho. Pasme: no meio de todo o infinito obediente, um cisquinho de areia é habitado por uma raça rebelde. Não consigo entender por que simplesmente não nos exterminou... ou melhor, consigo sim: por causa de seu amor.
A vinda de Jesus, o Filho de Deus, é estupenda, pois aquele que é tudo se esvaziou para se tornar parte: “embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se” (Filipenses 2.6).
Como homem, Jesus de Nazaré viveu de forma perfeita, e como diz um pregador a quem muito prezo, foi o primeiro a ser gente como gente deve ser. O primeiro homem falhou em obedecer, mas Jesus obedeceu até as últimas conseqüências.
A morte de Jesus não foi um acidente: ele não foi pego de surpresa. A grande diferença entre a cruz de Cristo e a de tantos outros barbarizados pelo mesmo meio é que Jesus podia perfeitamente impedir esse desfecho – mas escolheu não impedir.
Assim como em um tuberculoso não adianta apenas tentar aliviar a tosse, a humanidade toda se tornou inimiga do Eterno e não adianta andar com listas de “pecados-a-não-cometer”, pois o problema maior é a causa: a condição de rebeldia, mesmo que despercebida, contra o Criador.
Sem Jesus não tínhamos a menor capacidade de voltar para Deus. Nenhum esforço seria suficiente, pois nossos melhores esforços são nada diante do tamanho da ofensa. A única esperança de reconciliação com a Divindade é Jesus, o homem perfeito. Aqueles que reconhecem Jesus de Nazaré como o Cristo, o Filho de Deus, e se sujeitam de volta à Divindade manifestada em Jesus, são libertos da grave doença chamada “pecado”. Tornam-se então seus discípulos – isto é, alunos, aprendizes.
Isto é salvação. Ser libertos para voltar ao relacionamento de obediência e dependência do Criador, e começar uma longa jornada de crescimento, usufruindo a maravilhosa companhia do Mestre que nos ensina a ser gente como gente deve ser.
Boa Semana! é um trabalho voluntário que fazemos exclusivamente para anunciar o amor de Deus. Nossas mensagens são distribuídas semanalmente sem qualquer custo ou compromisso aos que desejam recebê-las. Se você recebeu esta mensagem enviada por alguém e gostaria de passar a receber diretamente, escreva-nos: roland@korber.com.br ou miguel.herrera@uol.com.br. Prometemos não usar seu endereço de e-mail para outros fins.
Junho 15, 2009
Anotações do último encontro do Fórum de reflexão bíblica e teológica: Deus no banco dos réus – o problema do sofrimento humano – Pr. Ed René Kivitz (anotações de Eliene de Jesus Bizerra)
O livro de Jó
O livro de Jó é um debate sobre o sofrimento do justo, do inocente. Uma proposta de enfrentamento ao sofrimento. Para mim, este livro é mais parábola do que história, pois o Jó é perfeito demais, parece mais um texto teológico e filosófico do que histórico.
Ele é colocado entre os livros de sabedoria, segundo a divisão da Bíblia hebraica.Mas, se imagina que este homem existiu, recebeu de Deus o veredicto de ser um homem justo (v. 1). Ele é exposto pelo próprio Deus. Tem Satanás a volta, e o próprio Deus chama atenção de Satanás para Jó (V.8), e autoriza Satanás a atingir Jó. Mas, Deus estabelece um limite, ele tinha que manter Jó vivo.
E assim faz Satanás, Jó perde tudo: bens materiais, filhos, posses. Fica só e sem saúde, à beira da morte. É objeto de sofrimento físico, psíquico, emocional, social, vitima do sofrimento espiritual, pois ele passa pelo sofrer na mais profunda escuridão e o mais profundo silêncio de Deus.
A grande angústia de quem sofre, não é o sofrer, mas a sensação do sofrer em vão. A sensação de que seu sofrimento não se explica por nada. Pior do que sofrer, é sofrer na mais profunda escuridão e silêncio de Deus.
Jó sofre no seu físico, nos seus vínculos de amor, realidade social, na sua contingência de sobrevivência, e no seu espiritual, e vítima de um sofrimento sem razão, sofrimento injusto.
E para piorar ele tem amigos.
E os amigos chegam e ensinam muito, mas a partir do 2: 11-13, vemos a presença silenciosa.
Um grande ensino, quando você quiser consolar alguém que sofre, esteja presente e em silêncio. Qualquer palavra diminui sua presença silenciosa.
Agostinho diz: Para todos os momentos da vida, cala-te ou diga algo mais valioso do que o silêncio.
Os amigos de Jó passaram 7 dias e 7 noites em silêncio. Só que depois eles abriram a boca... e tentaram fazer o que todos nós queremos fazer diante de um sofrimento atroz: Explicá-lo.
Para explicar o sofrimento, fazemos duas perguntas básicas: Por quê? Para que?
O “Por quê?” é olhar para trás, buscando a causa, buscando a razão, a origem do sofrimento. Algo aconteceu lá atrás que resultou neste sofrimento...
O “Para quê? é o olhar para frente, onde se quer chegar.
O por que é o que deixei de fazer. O para quê, é o que Deus pretende com isso no futuro.
Os amigos de Jó não conseguem ficar em silêncio diante de um sofrimento, tentam dar os ‘por quês e os ‘para quês. Falam e Jó se defende. A lógica é: Se você Jó, está sofrendo, é porque merece. Então, confesse logo, admita a sua culpa e responsabilidade.
A lógica é: Jó sofre porque é culpado. Jó sofre porque merece sofrer. Deus não é injusto então, não deixaria um inocente sofrer.
Mas, Jó insiste em reivindicar sua inocência. Ele tem uma percepção de Deus bem lúcida. Veja 19: 26. Jó não trata Deus como seu algoz, mas como redentor. Ele não perde a esperança num encontro com Deus. Seu Deus é seu redentor. Veja 23: 3-6.
É a convicção da inocência e a certeza de que Deus não o negaria.
Leia 23: 10-16 – Agora o redentor começa a ficar subjudice. Ele não fala, permite o sofrimento do inocente, e não só isso, está fazendo e vai fazer muito mais (v.14). No meio do sofrimento nós que buscamos tanto a Deus, querendo saber ‘por que’ ou ‘para que’, lá pelas tantas ficamos com medo do que Ele pode nos fazer. Jó está nesta situação, se defendeu tanto mas sente medo.
Leia 23: 31-35. É como se eu dissesse “eu sou inocente” e o outro dissesse então “está bem, então escreve e assina”. Leia 31:40, a conversa termina e os amigos não o convencem de sua culpa.
Vêm outros amigos e desabam sobre ele muitas coisas os capítulos 32 a 37. E nos 38 o senhor responde a Jó.
Ufa! Amém.
Mas, espere, não ha nada tão ruim que não possa piorar.
Pesquise se são 68 ou 65 perguntas que Deus faz a Jó. Deus faz uma série de perguntas que coloca Jó diante da imensidão, e Jó se enxerga como um grão.
Quando nós entendemos o que é o planeta terra, nos sentimos um grão neste planeta. E pensamos então o que seremos para o cosmos?
Deus não espera resposta às perguntas, mas gera em Jó um distanciamento de seu tamanho para o tamanho da realidade que o envolve. Cada pergunta de Deus faz Jó se tornar menor e a realidade mais imensa, mais imensa, e no capítulo 42: 5-6, Jó responde, e diante de Deus e de suas perguntas, e à medida que Jó se percebe pequeno e a realidade tão imensa, Jó se arrepende de, do meio da sua dor, perguntar por que e para que.
Parece que ele diz: Eu quis explicação para o meu sofrimento e me ocupei com todas as minhas forças encontrar explicação, mas agora me arrependo, com meus olhos eu vi quão tolo eu fui.
O final feliz do livro é quando Deus repreende os amigos de Jó. O bandido recebe a justa paga de sua maldade. Jó ora pelos seus amigos. Deus dá em dobro tudo que Jó havia perdido (42: 12,16)
Tenho duas leituras possíveis para isso:
1) A primeira leitura: Jó é um arquétipo que evidencia a presença do bem e do mal, tanto no ser humano quanto em Deus.
Esse Satanás não é opositor a Deus, é um outro lado de Deus. Satanás aqui não é um rebelde, é apenas um aspecto do divino. Assim como o bem e o mal existe no coração humano, existe também em Deus.
A pergunta “por que sofre o justo?” Se esvazia porque há um ser ambíguo, o bom e o mal. E o que experimenta na vida ora é bom ora é mal. Não há nada de injusto nisto. O mundo é assim, você é assim, Deus é assim. Paulo Coelho diz que o Diabo é o braço esquerdo de Deus, pensando que Cristo é o braço direito.
Jung diz que: Todo ser é ao mesmo tempo bom e mal, e as figuras da Bíblia Sagrada personificam aspectos diferentes desta unidade.
Para mim isto é uma heresia, na filosofia se dá o nome de dualismo.
2) A segunda leitura: O Diabo é a razão e causa do sofrimento injusto. Nós sabemos da conversa de Deus e o Diabo no capítulo 1, mas Jó nunca ficou sabendo desta conversa. Deus não chegou em Jó e disse: Jó você acabou a passar no teste, e eu ganhei a aposta que fiz com o Diabo...
Todo sofrimento é causado pelo Diabo. Se tem alguma coisa errado a Diabo está no meio. Mesmo quando existe um mau moral que o ser humano prática, ele só praticou porque o Diabo o induziu.
Se o justo sofre porque no fundo não é justo. É associar o sofrimento a uma culpa.
No espiritismo e nas religiões hinduístas, o conceito do carma é um sofrimento residual. Não apenas você pode sofrer porque você é um sangue ruim, e merece, mas em vidas passadas por ter feito coisas ruins, paga também por tudo isso. Essa ideia esvazia o princípio fundamental da identidade pessoal. Não existe um dia um João, e no outro dia, este é Maria, e no outro este é uma vaca. Isto é sem identidade. Há um espírito impessoal que ganha identidades diversas, e no fim qual será a identidade dele? Se ele vai se fundindo ao divino e se torna nada.
Estas explicações que esvaziam a pessoalidade e identidade pessoal conduzem ao nada, então não explica.
3) A terceira leitura: Harold Kushner diz: Deus é bom, mas não é onipotente. Para ele quando Deus aparece para pergunta ao Jó, ele diz: Você acha que é possível cuidar de algo deste tamanho sem que ninguém sofra? Alguém tem que sofrer. Ou seja, Deus não tem força o suficiente para impedir que estas coisas aconteçam.
Vem da ideia de que Deus fez o melhor mundo possível, e para manter o equilíbrio ele pede “Desculpa ... foi o que Deus para fazer”.
Para estas interpretações, tenho 3 respostas que me agradam. A última é a que me agrada mais.
1) A primeira interpretação: Quando você lê o livro de Jó e Deus aparece para responder e só pergunta coisas que Jó não sabe responder, parece que Deus quer dizer: Você fala demais e não sabe nada. Você é sabido mesmo: Então eu vou te fazer umas perguntas e vê se você responde?
Isto ai não foi um diálogo, foi um monólogo interativo. Todas as respostas de Jó são: Não sei.
A resposta está além da nossa capacidade de compreensão. Ela existe, mas não é do nosso tamanho. Existe uma resposta, mas está além da razão e decodificação lógica. É como se Deus começasse a montar um quebra cabeça e Jó para tudo e diz que já entendeu, não precisa explicar mais nada.
Se alguém quiser saber de Jó o que é que ele entendeu, ele não vai saber explicar. Pois não é uma resposta para a cabeça é para a profundidade da nossa relação com Deus, com a vida.
Quando alguém te desaponta, trai você, e você vai com toda força exigir explicação e só o olhar da pessoa já explica tudo. Existe uma resposta, mas está além da possibilidade. Mas, um dia teremos.
2) A segunda interpretação: Deus dizendo: Jó não tem resposta.
Você está disposto e consegue andar comigo sem esta resposta?
Não tem “por que” e nem “para que”. Não tem resposta. Tem apenas EU.
Só tem pergunta. Eu fiz 68 perguntas, você não entendeu nenhuma, te faço mais 68 e você vai ver que não tem resposta.
No livro “Em que creem os que não creem”. Fazem perguntas ao cardeal, e como a igreja responde a elas. E o cardeal responde: A igreja não existe para dar respostas, mas existe para celebrar mistérios.
Quando alguém coloca o problema diante de você e você diz: Isso é mistério.
Nem se a gente quiser Deus vai dar resposta. Porque não tem. É frustrante você fazer muitas perguntas e quando a pessoa que pode te responder chega e diz: Não vou responder.
É preciso ter mais fé para conviver sem respostas e com uma notícia: que Deus te diz que não tem respostas. Nem mesmo quando chegar no céu você terá resposta.
O quanto estamos dispostos a viver sem respostas?
Será que em sua vida você não faz um monte coisa sem saber e por quê?
Por isso, continue sendo grão, e deixe Deus ser Deus.
3) A terceira interpretação: Quando Deus aparece, não existe mais pergunta.
Não é que não exista pergunta, mas elas somem. É o ‘antes eu te conhecia de ouvir falar, agora meus olhos te veem’.
Não é que não quero saber, é que não preciso mais saber. Os meus olhos virão, e o que virão fez com que as perguntas se dissolvessem.
A gente só se aproxima de Deus fazendo perguntas quando você só conhece Deus de ouvir falar. Quando você viu Deus de ouvir falar. Quando você viu Deus, não precisa mais fazer perguntas.
Quando a gente tem este encontro com Deus, a gente nem tem mais a pergunta. É como a mãe que está com cólicas antes da gestação, e o médico chega para ver como ela está, mas junto com o médico chega o bebê, e então, ela encantada como bebê até esquece das cólicas e dispensa o doutor.
Crer é absurdo. Se não fosse absurdo eu entenderia e não creria.
Então é assim, ou tem resposta muito maior do que podemos compreender, ou não tem resposta, ou diante de Deus não tem mais perguntas. Bem, por 2.300 anos tem pessoas tentando encontrar respostas para estas questões. Ainda não conseguiram. Então, o que faremos? Bem, neste encontro com Deus, em que ele nos coloca diante destas opções (tem resposta muito maior do que podemos compreender, ou não tem resposta, ou diante de Deus não tem mais perguntas) isso nos joga de joelhos, e em oração intercessória. Foi isso que Jó fez com os amigos.
Leonardo Boff diz: O sofrimento a gente não explica, a gente enfrenta.
Especialmente o sofrimento do outro, a gente enfrenta, tentando atenuar, porque alguns não são passíveis de solução ou erradicação, mas podem ser atenuada pela nossa compaixão, amizade, presença silenciosa, oração, troca de olhares.
Se o sofrimento é fome, a gente dá o pão. Mas, tem outros tipos de sofrimento que é só a companhia.
O sofrimento é um lugar privilegiado para um encontro com Deus, especialmente porque nosso Deus é um Deus que sofre. Ele sabe o que é padecer. E no sofrimento a gente encontra a resposta, ou consegue conviver com a falta dela, ou se encontra com Deus e a pergunta se esvai.
Não me preocupo com respostas ou perguntas, mas me engajo em favor dos que sofrem. É o engajamento solidário compassivo com o sofrimento do outro. É um ponto de chegada possível a uma série de respostas a bondade de Deus.
Junho 8, 2009
Mensagem em 7 de junho de 2009, Pr. Ed René Kivitz
(anotações de Eliene de Jesus Bizerra)
Leitura em Atos 11: 19-26
19 Aqueles, pois, que foram dispersos pela tribulação suscitada por causa de Estevão, passaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus.
20 Havia, porém, entre eles alguns cíprios e cirenenses, os quais, entrando em Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando o Senhor Jesus.
21 E a mão do Senhor era com eles, e grande número creu e se converteu ao Senhor.
22 Chegou a notícia destas coisas aos ouvidos da igreja em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia;
23 o qual, quando chegou e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortava a todos a perseverarem no Senhor com firmeza de coração;
24 porque era homem de bem, e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor.
25 Partiu, pois, Barnabé para Tarso, em busca de Saulo;
26 e tendo-o achado, o levou para Antioquia. E durante um ano inteiro reuniram-se naquela igreja e instruíram muita gente; e em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos.
A palavra evangelho quer dizer literalmente “boas notícias”. Por isso, dizer “as boas novas do evangelho” é um pleonasmo. Toda Bíblia é evangelho, porque toda ela é boa notícia. Em toda Bíblia há evangelho, há boas notícias.
Jesus diz que as boas novas é o Reino de Deus. O Reino de Deus chegou, está entre nós. Paulo diz que as boas novas é a graça de Deus. As duas enfases (de Jesus e de Paulo) são aparentemente contraditórias. Pois, Reino é autoridade, soberania, governo, súditos, escravos, alguém que tem autoridade e a exerce sobre outros. E debaixo deste reino o imperativo é obediência.
Jesus Cristo é o Senhor e nós somos os seus servos. O próprio Jesus diz que o seu reino sua comida e bebida é fazer a vontade do Senhor. Ele estava submisso à autoridade do Seu Pai.
A palavra de ordem do evangelho é “Obediência”.
“Mateus 7: 21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”
A obediência a Deus é a rocha sobre a qual o homem sábio constrói sua casa. Aquele que ouve e obedece é o homem sábio, e constrói assim a casa sobre a rocha.
A obediência à palavra de Deus é a rocha. A reação à mensagem de Jesus Cristo, a resposta do evangelho é engajamento concreto. A religião de Jesus Cristo não é fórum íntimo, de crença e convicções, mas é de engajamento, de obediência à vontade de Deus Pai.
Quando um jovem perguntou a Jesus o que fazer para herdar a vida eterna, a resposta que recebeu foi se ele conhecia a lei, se obedecia a lei. E quando o rapaz pergunta sobre quem é o próximo, Jesus conta a história e diz: Faça o mesmo, use de misericórdia.
O outro rico que chegou a Jesus dizendo “bom mestre”, foi desafiado a vender tudo o que tinha, e obedecer. Jesus diz: Eu sou o Senhor, você deve me obedecer.
Outra chegou e perguntou: Onde devemos adorar? Jesus não quer saber sobre o local, mas sobre como ela está. E ela teve vários maridos, e agora o que está com ela não é marido. Jesus quer que ela pense no que é obedecer a vontade de Deus.
O caminho da obediência é o discipulado de Jesus.
Mas, Paulo já diz que a salvação é pela graça, é crer no Senhor Jesus e ser salvo. Pelo que Paulo diz, não é necessário nenhum sacrifício é apenas crer em Jesus.
Não precisa cumprir a Lei? Não, não precisa. Basta crer em Jesus e será salvo tu e tua casa. Não precisa vender tudo como fez aquele jovem, e nem devolver quatro vezes mais, como fez Zaqueu.
Pensando nestas duas maneiras de falar sobre salvação, o que é melhor? A pergunta da salvação é melhor se feita a Jesus ou a Paulo? Você perguntaria para qual deles?
Lendo os 11 capítulos de Atos, vimos primeiro o testemunho de Estevão, e como ele deixou claro que Deus não habita em templos feito por mãos humanas, e que Deus está disponível universalmente.E esse Deus não se relaciona com as pessoas a partir da Lei.
Pedro encontra um feiticeiro que quer negociar o dom do Espírito. Pedro dá uma bronca no feiticeiro, que não entendeu nada do evangelho. Mas, depois, Pedro é repreendido porque ainda vivia no tempo da lei, Deus teve que dar uma visão a Pedro para que ele não continuasse a fazer distinção entre o que podia comer e o que não podia. Deus purificou todas as coisas.
Deus não nos ama menos quando desobedecemos. É a graça.
E você prefere o evangelho de Jesus do reino de Deus, ou o evangelho da graça de Deus?
É uma visão que chega ao ápice na Reforma protestante, quando a igreja está construindo a relação com Deus na forma de mérito e demérito. Você está em pecado então, pague indulgências, faça penitências (suba escadas de joelho, se sacrifique)
Vendo estas coisas, Lutero levantou-se e disse que para Deus não há nada que posamos fazer, é a graça de Deus que opera. A Reforma luterana prega 4 coisas: 1) só Cristo; 2) só a graça; 3) só a fé; 4) só a escritura.
Questionado sobre Tiago, a respeito da salvação pelas obras, Lutero afirma que é um livro que deveria ser tirado da Bíblia. Mas, após ler as escrituras, ele concluí que: É verdade que ninguém será salvo pelas obras, mas também ninguém será salvo sem elas. Porque Tiago não debate FÉ X OBRAS, mas FÉ VIVA X FÉ MORTA. Ou seja, a fé viva tem obras. Se a fé não tem obras é fé fétida. A fé viva, obedece.
(Atenção. obra não é dízimo, ou ajudar velhinha a atravessar a rua, ou ser voluntário em creche... obra não é sinônimo de benemerência) Obra é no Novo testamento a vontade de Deus. Obedecendo sempre em todo lugar e em todo tempo.
Ninguém vai ser salvo porque obedeceu e por isso merece. O finito não pode obedecer a demanda eterna. O ser humano finito não consegue alcançar o eterno. Pois isso é como uma vela que quer dizer que brilha tanto quanto o sol. Deus é eterno, não é possível ser salvo pela obediência.
Mas, somos salvos porque Jesus levou na cruz a nossa condenação. A justiça de Deus está satisfeita na cruz do calvário. Não é mais pela obra e obediência, é pela graça.
É verdade que ninguém entra no céu pela obediência, mas também não entra se não obedecer. É o que Lutero diz. Fomos salvos para andarmos em boas obras. Obedecemos porque somos salvos. Somos salvos para obedecermos. Quando a graça nos alcança, se a fé for viva, ela gerará em nós a obediência.
Alguém te diz: Por que você se esforça tanto para obedecer, nem precisa? A sua resposta será: É, eu me sinto tão amado que eu quero obedecer. A minha fé viva me empurra para obediência.
Quando percebi o amor de Deus por mim, a vontade de Deus por mim deixou de ser fardo e passou a ser boa notícia, e o lugar onde encontro felicidade.
Minha resposta de fé é fé viva, que obedece.
Leia Gálatas 5: 6 Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor.
O que é fé? É resposta à graça.
E o que é fé que opera? A fé que nos empurra para a obediência.
Mas o que é fé que opera em obediência? É o ato voluntário, resposta de amor a quem ama.
É o conceito de Jesus, de Paulo, de Tiago. No Antigo Testamento fala-se de um povo que quer obedecer mas não obedece, que canta, mas é um louvor que Deus não aceita.
Barnabé foi a Chipre, e viu a igreja cheia da Graça.
Leia Atos 11: 23 o qual, quando chegou e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortava a todos a perseverarem no Senhor com firmeza de coração;
Antes eles haviam se espalhado.
ATOS 8: 1 Naquele dia levantou-se grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e da Samária.
Cada vez que o evangelho chagava num lugar, os apóstolos mandavam alguém para verificar como o evangelho tinha chegado ali. Em Atos 11: 23 foi Barnabé que foi enviado para verificar isso. E o que ele viu foi que ali em Chipre chegou o evangelho do Senhor Jesus Cristo.
Nos versículos 20,. 21, 23, 24 o que lemos é que tudo era em Jesus Cristo: Se converteram em Jesus Cristo, permaneceram no Senhor, pessoas se acrescentaram ao Senhor. E a resposta a essa graça de Deus é a obediência.
A graça gerou desejo de obedecer. Barnabé traz Saulo. E então, os seguidores são chamados de cristãos. Cristão significa pequeno cristo. Ou se submete ao Senhor Jesus, e começa a ser transformado na imagem de Jesus. A ponto que as pessoas dizem que eles se parecem com Jesus Cristo. Leia o Salmo 115.
4 Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos do homem.
5 Têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem;
6 têm ouvidos, mas não ouvem; têm nariz, mas não cheiram;
7 têm mãos, mas não apalpam; têm pés, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta.
8 Semelhantes a eles sejam os que fazem, e todos os que neles confiam.
Quem adora, se torna semelhante ao ser adorado. Tornam-se semelhantes a Jesus todos os que o adoram.
Quem adora o Ronaldinho, fica parecido com Ronaldinho.
Quem adora o dinheiro, fica parecido com dinheiro.
Quem adora o sexo, fica parecido com sexo.
Quem adora o trabalho, fica parecido com trabalho.
Quem adora o apóstolo, fica parecido com apóstolo.
Quem adora a igreja, fica parecido com igreja.
Quem adora a Jesus, fica parecido com Jesus.
Quando Barnabé viu que isso acontecia ele diz: a graça chegou. Essa graça é o a amor de Deus que não contabiliza méritos e deméritos, e quando nos alcança gera fé, que obedece voluntariamente. É o evangelho da graça, mas também é o evangelho do reino de Deus. Porque é no reino de Deus que a gente obedece e a graça nos capacita a servir. A fé viva obedece. A fé resposta a graça.
Faça a Leitura do livro “Discipulado” de Dietrich Bonhoefer, Ele fala de graça barata, e graça preciosa. Dizendo que a graça barata é a graça que nós dispensamos a nós mesmos. É a pregação do perdão sem arrependimento. É a ceia sem confissão de pecado. A graça barata é a graça sem a cruz.
A graça preciosa é o tesouro oculto no campo e um homem que sai e vende tudo para adquirir o terreno. A graça preciosa é o governo regido por Jesus, em que alguém arranca um olho para entrar neste reino. A graça preciosa é o chamado de Jesus Cristo que alguém ao ouvir o chamado, larga as redes e segue. A graça preciosa chama ao discipulado. É preciosa por condenar o pecado, e é graça por aceitar o pecador.
E porque não pode ser tão barato para nós o que para Deus custou tão caro. A graça preciosa é a encarnação de Deus.
A graça preciosa e o discipulado de Jesus Cristo permanecem indissoluvelmente ligados na vida de todo aquele que crê.
Há que se obedecer porque o evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é o evangelho da graça de Deus.
Seja a nossa vida uma resposta de fé viva ao Deus que por sua graça, possível pelo sacrifício de Jesus, convida a andarmos com Ele, e a nova fé seja uma resposta de obediência.
Viveremos com fé viva que obedece com coração voluntário, e de boa vontade ao jugo de Jesus que é suave, e ao fardo que é leve.
Não é porque onde abundou o pecado, superabundou a graça que continuaremos pecando. Se for assim, a graça de Deus será vã para conosco.
Não obedecemos a Deus porque somos obrigados, mas porque a graça nos alcançou.
Junho 4, 2009
Rolando Körber
em parceria com
Miguel Herrera
Vida espiritual
Este é um tema que repetidamente aparece aqui no Boa Semana. Trata-se daquela vida nova que tem quem reconhece sua incapacidade de dar sentido à vida por conta própria e aceita o convite de Deus oferecido por intermédio de Jesus Cristo: reconciliar-se com ele e passar a viver sob o seu comando. Essa atitude é o que a Bíblia chama de “nascer de novo” e nos proporciona uma perspectiva, orientação e motivação totalmente nova para viver – justamente a vida espiritual.
Como você provavelmente sabe, segundo a Bíblia Deus se manifesta a nós de três maneiras: como Pai, o Criador de tudo o que existe, inclusive nós, o Filho, Jesus Cristo, que veio para nos reconciliar com o Pai depois que havíamos fugido dele, e o Espírito Santo, por meio do qual ele assume o controle da nossa vida quando aceitamos o convite de reconciliação.
Depois que Jesus realizou toda a sua obra reconciliadora, morrendo na cruz e ressuscitando, seus seguidores ficaram esperando para ver o que aconteceria em seguida. Então, cinquenta dias depois da ressurreição, o Espírito Santo entrou em cena para preencher aquela gente insegura e assustada com essa vida espiritual totalmente nova e diferente. O acontecimento se deu durante festa judaica do Pentecoste, que neste dia 31 de maio de 2009 é novamente relembrado (ou esquecido?) pela cristandade.
O que aconteceu naquele dia em Jerusalém marcou o início da existência da primeira comunidade cristã. Na ocasião, o pequeno grupo de cerca de 120 seguidores de Jesus passou repentinamente para mais de 3.000 e, nos dias e semanas seguintes, continuou a crescer rapidamente. Entretanto, não foi esse crescimento numérico o que realmente importou ali. Aquele grupo de pessoas passou a adotar um comportamento que impressionou todo o público, tanto que a Bíblia relata que
“o povo os tinha em alto conceito.”¹
Que comportamento era esse?
Sim, aconteceram coisas extraordinárias, como curas de enfermos, mas aquilo eram eventos isolados, enquanto o “alto conceito” era de todos aqueles milhares de novos cristãos, que justamente se destacavam pela “vida espiritual”. O relato que temos no livro bíblico de Atos dos Apóstolos menciona, até um pouco à margem, algumas das características daquela nova vida. Aliás, é típico que sejam citadas sem grande destaque, porque a vida espiritual não é predominantemente matéria para manchetes de jornal, mas algo que se realiza direta e continuamente na vida diária do cristão. Ou seja, está disponível também para gente comum como eu e você no meio da nossa rotina.
Veja três dessas características da vida espiritual:
Ela é movida a amor:
“Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade.”²
Já houve quem chamasse isso de “comunismo primitivo”, mas sua enorme diferença em relação a todos os programas socialistas políticos surgidos posteriormente era que nada daquilo era imposto: eles agiam assim espontaneamente, por amor – coisa de vida espiritual.
Ela muda o foco:
Um dos relatos da ocasião é o da cura de um paralítico por intermédio dos apóstolos Pedro e João. Coisa extraordinária, mas há aqui um pequeno detalhe não tão espetacular que faz a diferença: quando aquele homem lhes pediu uma esmola, Pedro disse a ele:
“Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto lhe dou.”³
E então, invocando o poder de Jesus, deu-lhe muito mais do que ele esperava, a saber, aquilo de que realmente precisava: no caso, a cura dos seus pés. “Prata e ouro” é em geral o grande foco da vida das pessoas e sua grande motivação. Na vida espiritual aquilo deixa de importar e o foco é o próprio indivíduo. A propósito, foi também por isso que os cristãos tiveram tanta disposição em distribuir seus bens.
Ela restabelece a verdade:
Aqui o exemplo é um tanto assustador: no meio daquela empolgação de vender propriedades e ceder os bens, um casal (Ananias e Safira) fez aquilo também, mas reteve uma parte do lucro da venda. Isto não seria problema – ninguém os obrigou a entregar o que tinham, mas eles mentiram, afirmando que sua oferta era o valor integral. O objetivo foi óbvio: fazerem-se passar por mais nobres do que eram. O resultado foi literalmente fulminante. O Espírito Santo, de novo por intermédio de Pedro, revelou a maracutaia:
Com Ananias:
“ Como você permitiu que o Satanás enchesse seu coração a ponto de você mentir ao Espírito Santo...?”4
Diante disso e talvez para surpresa do próprio Pedro, Ananias caiu morto ali mesmo. Em seguida veio Safira e o episódio se repetiu com ela, quase com as mesmas palavras. Foi um exemplo único para mostrar a incompatibilidade da vida espiritual com a mentira e que a verdade é um fundamento essencial para uma sociedade realmente sólida e pacífica.
Amor, vida (ser em lugar de ter) e verdade. Praticá-los por esforço próprio costuma dar errado, mas a vida espiritual cria isso naturalmente. Você conhece essa vida?
Referências da Bíblia: ¹Atos 5.13; ²Atos 2.44-45; ³Atos 3.6; 4Atos 5.3.
Boa Semana é distribuído com a única finalidade de anunciar o amor de Deus. Se você quiser passar nossas mensagens adiante, fique à vontade. Caso queira cadastrar-se para recebê-las diretamente ou falar conosco, escreva para roland@korber.com.br ou miguel.herrera@uol.com.br. Prometemos não repassar seu endereço a mais ninguém e nem utilizá-lo para qualquer outra finalidade.
20/05/2009 -
Tudo tem um significado
Por Dora Lorch*
Costumo pedir para as crianças que atendemos no projeto Florescer da Fábrica que desenhem suas famílias para que possamos perceber situações que elas normalmente não demonstram, já que no desenho estão representadas as relações familiares da criança.
Mas nem sempre conseguimos entender de imediato o que elas mostram nos desenhos. Foi exatamente isso o que aconteceu com Samuel. Todos os dias, durante meses, ele desenhava a traseira de um carro. E por mais que tentássemos interpretar os seus desenhos, ele não aceitava a nossa conclusão.
Sabíamos que seus pais estavam separados e que Samuel não se entendia muito bem com a madrasta, que tinha lhe dado um irmão. Mas ela não era tão importante para que ele quisesse representá-la. Quanto ao pai, era uma pessoa presente em sua vida. Vinha visitá-lo, costumava levá-lo para passear e mandava torpedos durante a semana.
Sua mãe, dona Shirley, reclamava do ex-marido, alegando que ele não pagava a pensão do Samuel e se comportava como um adolescente. Ela gostava do filho e cuidava dele com esmero. Pelo menos era o que parecia. Procurou o Florescer da Fábrica porque Samuel estava com problemas na escola. Mesmo depois que veio para o projeto, as dificuldades se multiplicaram e ele acabou mudando de escola.
Eu fui contra, mas a mãe insistiu na mudança, que trouxe excelentes resultados. Samuel era outro menino: integrado, participativo, cumpridor de seus deveres e com boas notas no boletim escolar. Estávamos no começo do ano e acreditávamos que o clima entre mãe e filho ficaria ameno. Mas as brigas se intensificaram.
Era claro que havia algum problema que não estávamos conseguindo identificar. Decidimos chamar a mãe para uma conversa. Ela chegou aflita e começou a falar com um tom azedo, como se estivesse em um tribunal. Reclamou muito do mau comportamento do filho. Disse que ele não ajudava nas tarefas domésticas, chegava tarde em casa e só queria ficar com os amigos. Tudo isso era verdade. Mas ela não falou sobre as melhorias de Samuel na escola. Afinal, não tinha mais reclamações.
Ele estava tão envolvido com as atividades escolares que, na reunião de pais, foi elogiado. Percebemos que a mãe só conseguia ver os defeitos do filho. Não mencionou nenhuma palavra de reconhecimento pelo seu esforço. Como é possível viver com tantas críticas? O pai, diferentemente da mãe, agia exatamente o contrário. Ele valorizava o filho por suas conquistas e seu comprometimento.
Aquela mãe estava de costas para o empenho do filho. Era isso o que ele representava insistentemente em seus desenhos. Apesar do amor, do carinho, da responsabilidade em criá-lo e de estar ao seu lado a maior parte do tempo, esta atitude comprometia o relacionamento entre mãe e filho, deixando ambos infelizes.
Acredito que os pais, de maneira geral, ficam muito aflitos quando os filhos têm problemas e querem que tudo se resolva rapidamente. Não dão tempo ao tempo. Educar é um processo, exige continuidade. Acertamos uma questão, mas há sempre muitas outras que precisamos aperfeiçoar. Por isso, é fundamental que pais e educadores possam valorizar as barreiras que as crianças, os adolescentes (e também os adultos) ultrapassam, antes de cobrar novas mudanças. É preciso focar no que é verdadeiramente importante e minimizar o que é secundário. Não podemos vencer todas as batalhas. E, cá entre nós, reconhecimento de quem a gente gosta é um incentivo e tanto.
Boa semana.
* Dora Lorch é psicóloga, mestre em psicologia e autora do livro “Como educar sem usar a violência” (Summus Editorial). Atua também como coordenadora do Projeto Florescer da Fábrica do Futuro, melhorando o relacionamento entre pais e filhos.
O que você achou da coluna de hoje? Dê sua opinião, envie dúvidas e sugestões para a psicóloga Dora Lorch! Para isto, basta enviar um e-mail para: doralorch@uol.com.br.
A SUA CURA É O OUTRO...
Os caminhos do coração humanos são indecifráveis...
Você vê gente sofrendo de tudo, e vivendo como se tudo fosse normal. Você, por outro lado, vê gente sofrendo de nada como se sofresse de tudo...
Na realidade, cada vez mais, minha experiência vai mostrando que não há escolas psicológicas capazes de atender a cada alma humana.
De fato, cada alma demanda uma psicologia pessoal e particular...
Não dá pra dizer que Freud explica quase nada...
Freud explica a si mesmo..., e olhe lá...
Sua Psicanálise é auto-analise, por mais “cientifico” que ele pretendesse ser, posto que por mais isento que fosse, a “ciência” que ele praticava só poderia ser verificada a partir dele mesmo, não apenas de sua interpretação, mas de sua própria/particular/existencial experiência psicológica.
Há pessoas que me procuram com crises de contornos “freudianos”. Para tais pessoas Freud parece funcionar bem... Outras, porém, nada têm a ver com o que o Freud pressupôs houvesse em todo homem, sem que haja...
Nesses casos, tateio até ver a “porta de entrada” da pessoa, e, frequentemente, verifico que tal “entrada” não existe nas matrizes das linhas psicológicas clássicas ou pedagógicas, e, portanto, demanda uma psicologia singular, tecida entre você e a pessoa, até que o sistema esteja mais ou menos visível e, portanto, discernível.
Em outras palavras: tem que ser como Jesus praticava...
A “psicologia” de Jesus era simples e se servia das metáforas que as pessoas traziam ou compreendiam. Tudo, porém, tinha ver com “aquela” pessoa, e não com uma matriz psicológica universal.
Assim, com Jesus não há padrões... O padrão é o individuo...
Desse modo, cada pessoa demanda uma psicologia singular, por mais que os modelos psicológicos possam ajudar aqui e ali. No entanto, depender exclusivamente deles é pura tolice...
O modelo de Paulo, a confrontação, é o que vejo que melhor ajuda as pessoas, pois, de fato, trata-se de um método não metódico, é que busca discernir a essência da questão, e trata dela cara a cara, sem medo de afirmar, de indagar, de sugerir, de provocar, de perturbar mesmo... — até que a verdade vá aparecendo, e, assim, a pessoa vá se enxergando e tomando as decisões práticas quanto a debelar o vício do sintoma como mal a ser tratado como causa... sem que o seja.
Os pudores psicológicos atrasam em demasia a cura das pessoas...
Vejo pessoas oito, dez, doze anos em um terapeuta, ruminando os mesmos bagaços, pagando caro para serem ouvidos sem que isto deslinde qualquer coisa em seus interiores, até que chegue o dia da verdade...
Então, sem pudor, atendo a tais pessoas; algumas já sabem tudo de tudo, até mais que a maioria dos psicólogos, de tão profissionais como clientes que vieram a se tornar...
A surpresa para elas é que o que durara anos, por vezes em uma, duas, três semanas, ou em poucos meses, cede...; e, então, começa a abrir o espaço interior para que, pela via da confrontação, a pessoa comece a parar de chocar seus quase/dramas; e, assim, sem pena de si mesmo, sem transferências de nada para ninguém, sem auto-piedade ou autocomiseração, o individuo comece a reagir; e, em não muito tempo, comece a ficar perplexo com os resultados...; sem saber a razão de não ter que ser um processo necessariamente tão longo e demorado no atingimento dos desejados resultados...
Na realidade o que a maioria das pessoas necessita é do encaramento na e da verdade!
Noto o despreparo brutal da maioria dos chamados profissionais de Psicologia. Alguns nada dizem apenas porque não têm mesmo o que dizer... Outros gostam da lentidão... Ela é lucrativa... Há ainda os que são tão doentes que fazem psicologia para se distraírem de si mesmos ouvindo os outros... Mas poucos há com consciência do que seja a ajuda que as pessoas precisam...
Ora... isto sem falar naqueles que são pagos apenas para consentirem com o devaneio do individuo...
São os Psicólogos do “vamos que vamos”...
Sim, você o paga apenas para que ele diga que você tem razão em soltar todas as frangas e todos os bichos do seu zoológico particular...
No meio disso tudo, há alguns profissionais da psicologia que são de fato muito bons, embora poucos.
O que me ressinto mesmo é do fato que se houvesse entendimento do Evangelho, e amor e limpidez de propósitos, todo verdadeiro pastor de almas naturalmente seria um psicólogo.
Mas quase não há tal coisa... A maioria dos pastores está tão perdida que nem mesmo dá conta de sua própria alma, quanto mais da dos outros!...
A receita de cura de Isaías é simples [cap.58]: liberte os oprimidos, quebre cadeias nos outros, franqueia a vida ao próximo, não fuja dele; e mais que isto: abra a sua própria alma com o aflito [deslocando o foco do “si-mesmo” para o outro] — pois, então, se diz: A tua cura brotará sem detença!...
A melhor terapia desta vida sempre será o serviço em amor!
Quem se esquece de si e arranja olhos para a vida, em geral ficará curado enquanto limpa feridas e cuida de angustias alheias...
Aquele, porém, que apenas cuida de si mesmo, de suas supostas dores, e concentra-se exclusivamente em sua angustia como elemento pivotal da existência universal, esse pode contratar o melhor psicólogo para que lhe ande a tira-colo, pois, ainda assim, jamais ficará curado...
Ninguém sabe em que espírito o Samaritano vinha sem seu caminho... Entretanto, pouco importa se ele vinha cantando, alegre, feliz e grato, ou se vinha sofrendo, angustiado e infeliz... Sim, o que importa é que ele olhou para o outro, o outro pior do que ele, o outro sem autodeterminação, caído no caminho... E mais: fez isso sem que importasse quem ele ou o outro fossem um para o outro...
Sem que fosse significativo como o Samaritano estivesse se sentindo, o que valeu foi o ato, foi o feito, foi a parada e o levantar do homem...
Sim, o importante não era a subjetividade, mas a objetividade da decisão...
Digo isto hoje porque vejo que muitos dos que me escrevem jamais ficarão curados enquanto não se esquecerem de si mesmos, e, enquanto não transformarem sua auto-vitimização em ação pró-ativa em favor da vida...
Pense nisto; e pare de lamber adoecidamente as suas próprias feridas...
Nele, que nos cura pela verdade e pela prática do amor voltado para aquele que vemos..., e que carece de graça e cuidado,
Caio Fábio
28 de maio de 2009
Folks,
Mt 16:26 - "Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?"
Apesar de estarmos tão atarefados, carregamos a constante sensação de que ainda não cumprimos todas as nossas obrigações ou de que não as cumprimos na qualidade que gostaríamos. Então vem aquele vazio no coração, que Carl Jung definiria isso como sendo "a neurose geral de nossa época", a saber, a falta de sentido das vidas vazias.
De fato nunca estamos/estou satisfeitos, pois tão logo conquistamos um desejo, somos invadidos pela sensação de "não era bem isso o que eu queria". Conheço pessoas que conseguem atingir metas, mas não sabem explicar a razão porque tanto se sacrificaram (por exemplo, eu mesmo, lutei, lutei e lutei para terminar um mestrado na USP; assim que consegui me senti tão vazio que nem conseguia explicar porque fiz e o que faria com aquilo). Não posso negar essa forte inclinação em mim (a de ter as coisas) e nem que luto contra isso todos os dias, seria hipocrisia. Sou uma pessoa movida pela conquista, mas uma conquista vazia e talvez por isso nunca me sinto satisfeito. Minha vida oscila como pêndulo, do sofrimento (porque há desejo de posse) ao tédio (porque há posse sem desejo). A parte boa é que percebi essa forma de viver em mim e dei O PRIMEIRO PASSO para remodelar meu modo de viver, na verdade meu modo de ser gente, procurando ser mais humano.
Percebendo que por ser o tipo de pessoa insaciável, inquieto e sempre insatisfeito, sempre procuro justificativas para manter o correr dos meus dias, usando artifícios como a expressão mais comum dos infelizes, "que serão felizes assim que...", sempre colocando a felicidade no futuro, perpetuando meu descontentamento, impedindo assim que a alegria de desfrutar o presente como presente. Passei a desfrutar dos momentos da vida como eles são, estando com as pessoas que estão a minha volta, vivendo com intensidade as circunstâncias reais e imediatas daquele momento (uns dizem que sou intenso no meu jeito de viver; está aí sua explicação). Reagindo a cada circunstância de maneira espontânea como um viver de dentro para fora: chorando em situação tristes, rindo quando a notícia for boa, rolando no chão quando as crianças estiverem por cima, ou até com o cachorro que sujou sua roupa de sair, enfim, concretizar o conteúdo de cada momento. Gosto desta frase que resume bem esse novo jeito de viver, a qual não sei seu autor "Quem não é capaz de "presentificar" a vida nunca será feliz, pois a felicidade estará sempre um pouquinho à frente, assim que .... (eu conseguir isso ou aquilo)".
Acredito que essa deva ser a essência do "VIVER UM DIA DE CADA VEZ". Ser feliz é muito mais do que viver de desejo em desejo. A felicidade é muito mais um jeito de ir do que um lugar onde se chega."Você não se torna uma pessoa feliz perseguindo a felicidade. Você se torna feliz vivendo uma vida com significado", Harold Kushner.
Depois de tudo isso que você leu, você deve estar se perguntando se sou feliz hoje. Bom, se eu olhar para tudo que eu desejo e olhar para tudo que tenho eu diria que não sou feliz. Mas se eu olhar para tudo que tenho e mencionar que vivo cada minuto da minha vida com toda a intensidade, sendo eu mesmo, emoção a flor da pele, com as pessoas que estão próximas de mim, eu digo com todas as letras, "SIM, SOU FELIZ, porque creio que estou no caminho certo, o caminho de ser humano e não o de ter as coisas."
Parte dos trechos utilizados nessa reflexão foram adaptadas do livro "Vivendo com Propósitos" de Ed René Kivitz.
Outras Reflexões ver em: www.nelsonkjr.com.br
Leia a Bíblia - 2 Tm 4:2a - "prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, …". Que Deus continue nos abençoando (para abençoarmos outras pessoas). http://www.missaosal.org.br/
Nelson Jr.
Maio 27, 2009
NÃO MATE OS QUE VOCÊ AMA!...
A pior coisa que pode acontecer a uma amizade ou relacionamento... — é quando os amigos ou parceiros julgam que se conhecem mutuamente por completo; e, também, quando pensando assim, os anos se passam, e eles, por julgarem conhecer o outro, o congelam em um estado de imutabilidade...; e, desse modo, sem que se saiba o que outro quer..., já se o interpreta; ou quando não sabendo que algo nele mudou..., se o fixa por antecipação; ou quando amando o outro, se assume que nosso amor por ele é apesar dele, pois, não damos mais a ele o poder de nos surpreender..., apenas porque o tenhamos frisado numa bolha de amor fraterno ou relacional que já não o permita mudar aos nossos olhos.
É assim que as amizades vão morrendo e os casamentos vão ficando a mesma coisa...
Sim, pois a história impõe vícios interpretativos!...
A coisa boa de uma amizade é justamente a expectativa de mutabilidade para o bem...
Por isto, verdadeiros amigos sempre se encontram esperando o melhor como surpresa fraterna.
O mesmo se pode dizer do casamento...
Quando os cônjuges perdem a esperança e alegria na possibilidade de que o outro cresça e mude, então, inicia-se o processo de falência do amor...
Digo..., não do amor mesmo, que tudo sofre e segue adiante... — mas falo do amor conjugal, que se alimenta também da alegria pela existência do outro; e, mais que isto: sempre espera que o bem não cesse na vida dele...
Na realidade, se há um ambiente no qual mais do que em qualquer outro não se deve julgar para que não se seja julgado, esse tal ambiente é o da amizade e o do casamento.
Entretanto, é justamente em tais/mesmos/ambientes que menos se leva á serio tal recomendação de Jesus.
Sim, pois é aí, pela suposta segurança e indissolubilidade do vínculo, que mais se julga, se interpreta e se projeta sobre o outro aquilo que não necessariamente nele esteja presente ou sequer em processo de existência...
“Segurança relacional”, seja pelo casamento ou pela amizade, não devem funcionar justamente para a realização do oposto: a ofensa, o julgamento, o sincericidismo, ou a impaciência que diz: “Já sei que tipo de coelho sai dessa mata...”
Todavia, é porque as pessoas se sentem “seguras”, que ofendem, julgam ou pré-definem o outro; e, depois, não sabem por que ambos vão ficando cada vez mais distantes...
Todas as coisas sadias se alimentam de pequenas gentilezas...
Todas as coisas sadias, por mais intimas que sejam, guardam sempre um lugar para a parcimônia e o cuidado da não ofensa...
Todas as coisas sadias em um relacionamento se alimentam de cuidado e carinho...
Todas as coisas sadias em um vínculo..., demandam e dependem do evitar das gritarias e das histerias que ofendem sem capacidade para retirar a ofensa...
O que se precisa crer sempre é que o outro, seja o amigo ou o cônjuge, são seres com quem Deus também fala; por isto, muitas vezes, é melhor que a nossa naturalidade no trato persista na direção do outro, sempre crendo que não é a nossa voz a única que fala, posto que Deus também fale; especialmente quando abrimos mão da gritaria e entregamos a questão ao amor e à verdade de Deus.
O momento relacional mais difícil é aquele no qual um dos implicados ou mesmo ambos, julgam que já se tornaram tão amigos ou íntimos, que o relacionamento já se cimentou de um modo tão concreto que já não mais se quebre...
Aí reside grande engano... Pois, o amor não acaba, mas pode entrar em um processo de tanto sofrimento, que, em razão disso, perca a felicidade no se dar...
Cada um de nós deve pensar nisto; e, mais que isto: deve ver com quem se perdeu a delicadeza de manter a amizade ou a conjugalidade como coisa nova todos dias; dando sempre ao outro a chance de amanhecer melhor para nós, e nós para ele; assim como são as misericórdias de Deus todos os dias, renovando-se a cada manhã.
Nele, que assim manda que seja, até 70x7,
Caio Fábio
25 de maio de 2009
GRIPE ESPIRITUAL…: a gripe crentina…
Gripe é uma desgraça… Não mata mais [pelo menos as gripes normais], mas, não deixa você viver também.
Quase todos os estados de enfermidade, exceto aqueles terminais, incomodam muito menos do que o sintoma da gripe, que, hoje, não nos aflige apenas porque se sabe que “gripe é normal”, pois, incomoda..., mas já não mata.
Entretanto, retirando-se a certeza psicológica resultante da experiência de quase 100 anos com o fato de que as gripes em geral apenas incomodam, mas não matam, é que se vive a gripe apenas com os gemidos de seu desconforto, do nariz escorrendo, das juntas quebradas, do corpo doendo como se você tivesse brigado na rua, com os olhos escorrendo, com a cabeça oca, com um desânimo de morte, e, sobretudo, com um travamento até no fluxo do pensar, cansado de tudo, até de pensar...
Estou muito gripado.
Existe, todavia, um estado gripal/espiritual, que é a doença mais comum dos crentes.
Não mata, mas ferra a existência...
A maioria dos crentes que eu conheço vive espiritualmente gripada.
É dor, desconforto, cansaço, corrimento, juntas quebradas, falta de ânimo, e uma total má vontade com tudo quanto seja trabalho...
Os sintomas da gripe no crente são os seguintes:
Falta de esperança;
Medo de morrer;
Angústia em relação a Deus;
Necessidade dos chás da vovó “igreja”;
Cinismo quanto ao fato que o normal da vida não é viver gripado;
Imunidade baixíssima, daí a gripe nunca ir embora...
E mais:
O lugar mais impregnado de gripe de crente é o ambiente da “igreja”.
Lá é uma câmera de gripe crentina.
O cara entra até bem..., mas logo começa a coriza e, logo depois, os espirros... Então vem a febre alta, e, com ela, os delírios...
O fato é que dentre as gripes, contando a aviária, a suína e outras, nenhuma delas mata mais gente do que a gripe crentina, pois, de fato, seu vírus é resistente a quase tudo, e, em muitos casos, está desenvolvendo resistência até mesmo ao Evangelho.
O estado perene da gripe, quando ela não cede mais, gera a evolução do quadro, de modo que o crente que sofre da gripe crentina acaba desenvolvendo a gripe cretina...
O que pode nos salvar deste estado á apenas vitamina C e cama...
Cristo e cama, só que de joelhos ao lado dela!
Pare a agitação... Descanse e beba de Cristo...
Ele é a cura para esse estado que não mata e não deixa viver!
Nele, que nunca gripou,
Caio Fábio
25 de maio de 2009