Mensagem no dia 02/08/2009, pelo pastor Ed René Kivitz
(Anotações de Eliene Bizerra – Em caso de dúvida, ouça o áudio que estará disponível daqui a alguns dias no site www.ibab.com.br)
Leia Atos 17: 22-31
22 Então Paulo, estando de pé no meio do Areópago, disse: Varões atenienses, em tudo vejo que sois excepcionalmente religiosos;
23 porque, passando eu e observando os objetos do vosso culto, encontrei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais sem o conhecer, é o que vos anuncio.
Paulo no Areópago sugere aos atenienses que eles são muito religiosos. E, realmente, alguém já disse que era mais fácil encontrar deuses do que pessoas em Atenas.
Para entender este "altar do deus desconhecido" no versículo 23, temos duas possibilidades:
1) Dentre tantos altares, eles desejaram construir um para aquele deus que porventura eles não conhecessem ainda.
2) Conta-se que houve uma praga em Atenas e matou grande parte da população. Os religiosos buscaram os feiticeiros para resolver o problema e nada conseguiram. Um homem porém, invocou ao seu Deus, e o fogo do céu caiu sobre um rebanho. Após a morte deste rebanho a praga cessou. No local onde esse fogo desceu, os atenienses construíram posts ídolos. E sempre faziam o deslocamento para adorar a estes post ídolos. Com o tempo, resolveram trazer um dos totens para o Areópago.
Os atenienses se relacionavam com muitas divindades. E quando temos muitos deuses, não faz diferença ter deus nenhum. Um deus que eu não sei como age e um deus nenhum é a mesma coisa. Eles tinha experiência de relacionamento com divindades múltiplas e por isso, Paulo chama este povo de 'muito religioso'. Nesta religiosidade está embutida a crença numa força maior.
Nós seres humanos temos experiência com o transcendente. É algo que nos cativa, nos seduz e nos apavora. Esta força superior que tem prerrogativas de amaldiçoar ou abençoar, nós aspiramos. E damos a ela o nome de Deus, mas não sabemos como é, ou como irá nos tratar.
Quando na Bíblia Deus começa a se revelar em Abraão, e depois em Isaque, ele se mostra de forma diferente. Em Gênesis 31, vemos Deus sendo chamado de 'terror de Isaque'. Imagine Isaque posto num altar, e o pai dele com um cutelo? Quem é este Deus aterrorizante que exige isso? O que isso não pode suscitar no coração de Abraão? Será que andar com esse Deus é seguro? Será que a lealdade a esse Deus custa tanto? Esse Deus come criancinhas? Não sabemos se esse bem maior nos fará bem ou mal.
O apóstolo Paulo no vers. 22 usa a expressão ' sois excepcionalmente religiosos' quando na verdade o nome seria 'supersticiosos' e não religiosos. Ele diz: Vocês tem espírito de superstição, que está embutido no espírito de religião.
Nós também temos isso! Superstição de pegar o sal da mesa e não dar na mão do outro, do gato preto por debaixo da escada, de bater na madeira ... são estas forças que levam embora dinheiro, ou trazem dinheiro ... Por exemplo, a mandinga de bater na madeira refere-se ao tempo em que se acreditavam que as florestas eram habitada por espíritos. Para entrar na floresta, tinha que bater no tronco da árvore e pedir permissão para entrar.
Talvez nós não batamos na madeira, mas dizemos: tá amarrado! Ou ainda, 'quem não dá o dinheiro do dízimo, gasta tudo na farmácia'. Há um poder com prerrogativa de fazer o bem ou o mal. E à nossa maneira, somos supersticiosos.
O apóstolo Paulo nos dá a forma para vencer este medo. Ele nos diz o que fazer para nos sentirmos protegidos destas forças que nos roubam a paz, do medo que o próprio Deus nos faça mal. O apóstolo Paulo dá sugestões para que você saiba que não é cativo se superstições.
1) Quando você tem uma referência a partir da qual você consegue discernir o caráter de seu Deus.
Se você responde que Deus é tudo, na verdade para você Deus não é nada. O que Jesus diz: João 5: 39 Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim;
Erramos por não conhecer as escrituras. Nosso ponto de referência para saber quem é Deus, pra saber o que Deus fez, e que compromisso Deus exige de nós, é Jesus Cristo. Jesus é o nosso ponto de referência. Filipe perguntou 'mostra-nos o pai', e Jesus respondeu 'a tanto tempo anda comigo e não sabe que eu e o pai somos um?'
Em Jesus habita a plenitude da divindade. Se torna revelado e conhecido em Jesus Cristo. Nós seguimos a Jesus que não é 'o terror de Isaque', é o 'abba' de Jesus. A partir do qual e de quem nós derivamos nossa compreensão do Deus a quem servimos.
Deus para nós é uma pessoa: Jesus Cristo. Então dizemos: Jesus fez isso, Jesus prometeu isso, Jesus ordenou isso... Não é a Bíblia nosso ponto de referência, nós julgamos a Bíblia a partir de Jesus Cristo.
Deus é nosso 'abba', pai, amigo ... não é promotor de tragédias, maldades, catástrofes. Ninguém precisa andar com medo de Deus.
Eu não fico a vontade de num velório, dizer que 'foi da vontade de Deus'. Neste dia, Deus chora conosco. Deus é promotor de vida, sempre. E quando servimos a Deus, conhecemos aquele a quem adoramos.
Qual o caráter de nosso Deus?
A Bíblia nos aponta Jesus, ele revela quem é nosso pai.
2) Para nos livrarmos da superstição, respondemos de maneira ética.
Sabemos que estamos livres quando sabemos quem é Deus e quando respondemos de maneira ética, não mágica ou ritualística. Não é fazer coisas para esse 'poder', como acender velas, participar de correntes ... isso é mágica é ritualismo. E Deus não responde a isso.
II Samuel 15: 22 Samuel, porém, disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à voz do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, do que a gordura de carneiros
Isaías 29: 13 Por isso o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas tem afastado para longe de mim o seu coração, e o seu temor para comigo consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor;
(Jesus) Mateus 7: 21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
Não é a liturgia, ou adesão, é a resposta ética que damos ao nosso Deus.
João 14: 21 Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.
João 10: 27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;
Deus quer saber do seu coração e da vida que você leva, e não de quantas correntes de oração que você faz, ou em que igreja você congrega.
Atos 17: 30 Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam;
Jesus deu provas de que era o escolhido de Deus, que Deus escolheu-o para se revelar nele. Jesus ressuscitou dos mortos.
HEBREUS 1: 1 Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,2 nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo;
Jesus é o homem que Deus designou, olhamos para ele para ver quem é Deus. Jesus Cristo é o critério a partir do qual todos nós seremos julgados com justiça. E, se Jesus é o critério para o julgamento divino, eu creio que o julgamento já foi posto na cruz, porque a Bíblia diz:
Romanos 8: 1 Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
Por outro lado, a fé sem obras é morta. Sem engajamento de relacionamento com Deus, quem de fato está ao pé da cruz? Quem reverencia a cruz ou quem se compromete com a cruz?
A fé viva opera em amor. Se Deus é um poder que pode amaldiçoar, então você teme. Mas, se Deus é abençoador, você busca. Só que com isso, você é apenas um supersticioso.
Se você procura conhecê-lo a partir de Jesus Cristo, você entra num caminho de discipulado. E neste caminho andamos seguros, e cantamos 'eu não quero só te conhecer de ouvir falar, saber não é o bastante, viver é muito mais'.
Não tememos um poder, não somos feiticeiros, somos filhos do Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo.
Oro para que Ele, revelado na pessoa de Jesus Cristo, não seja desconhecido para você.
Não se contente com sua prática religiosa. Ter experiência de segunda mão com Deus. Não faça Deus um ilustre desconhecido. Venha você mesmo provar e ouvir:
"Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo." Mateus 3: 17
Mensagem de domingo, 26/07/09 – Pr.Ed René Kivitz
(anotações de Deuselita)
Atos 15.36-41:
36- Algum tempo depois, Paulo disse a Barnabé: “Voltemos para visitar os irmãos em todas as cidades onde pregamos a Palavra do Senhor, para ver como estão indo”.
37- Barnabé queria levar João, também chamado Marcos.
38- Mas Paulo não achava prudente levá-lo, pois ele, abandonando-os na Panfília, não permanecera com eles no trabalho.
39-Tiveram um desentendimento tão sério que se separaram. Barnabé, levando consigo Marcos navegou para Chipre.
40- mas Paulo escolheu Silas e partiu, encomendado pelos irmãos à graça do Senhor.
41- Passou, então, pela Síria e pela Cilícia, fortalecendo as igrejas.
Esse texto de Atos dos Apóstolos, o capítulo 15, poderia ser abordado enfocando vários aspectos da caminhada cristã e da expansão missionária da igreja. Por exemplo: a importância do cuidado pastoral das comunidades nascentes. Paulo deseja voltar para visitar as cidades onde em sua primeira viagem missionária, em companhia de Barnabé, ele plantara igrejas. Então, ele não apenas foi plantando as igrejas, mas ao final do ciclo da primeira viagem ele retorna para fortalecer as igrejas.
Poderíamos falar sobre a necessidade do discipulado, sobre conflitos de relacionamentos, sobre as diferenças nas vocações, porque nitidamente nesse texto Paulo é voltado a tarefas e Barnabé é voltado a pessoas. E isso nos ajudaria muito a entender o que fazer e como é que organizamos as nossas vidas.
Nós poderíamos olhar esse texto falando sobre Paulo, e sobre Barnabé. E eu, especialmente, escolhi olhar esse texto falando sobre o poder dos relacionamentos pessoais, e tomando talvez como figura protagonista nesta breve narrativa a pessoa de Barnabé.
Ele é um personagem extremamente importante na história do cristianismo nascente. É uma figura ilustríssima nesse livro de Atos dos Apóstolos, e acredito mereceria melhor atenção como uma personagem da história da Igreja. Mas no meu entendimento, esse texto fala especialmente a respeito do poder dos relacionamentos pessoais.
Nós precisamos entender o que está acontecendo por trás destas linhas, deste desentendimento tão sério entre Paulo e Barnabé, motivado pela pessoa de João Marcos.
O desentendimento foi porque Barnabé queria levar João Marcos consigo, e Paulo não queria. Não conseguiram entrar num acordo, e então, os dois se separam. Barnabé voltou para casa, Chipre, e levou consigo João Marcos, e Paulo escolheu um outro companheiro de viagem, substituindo Barnabé, abandonando ou deixando para trás João Marcos, e levou consigo Silas, para visitar as igrejas que havia plantado.
Quem é João Marcos? Por que é que ele causa esse problema todo?
Primeiro Colossenses 4.10 vai dizer que ele era primo de Barnabé. Talvez a escolha de Barnabé por João Marcos tenha sido uma opção por uma relação familiar. Talvez. Acredito que não.
João Marcos era uma figura importante naquele momento da caminhada da igreja em Jerusalém.
Lembram-se os irmãos que estamos ao final do capítulo 15 do livro de Atos, e, no capítulo 15, houve a discussão a respeito da relação dos cristãos judeus e os cristãos não judeus. Como é que esta relação aconteceria. Foi uma relação muito tensa.
A casa de João Marcos era muito provavelmente um centro de encontro da igreja de Jerusalém. A comunidade dos cristãos em Jerusalém comandava toda a expansão do cristianismo.
Em Atos, capítulo 8, vai ser dito para nós, que os cristãos foram dispersos em razão/causa da perseguição, mas os apóstolos permaneceram em Jerusalém.
Eles não tinham muita liberdade de encontro, eram perseguidos, viviam escondidos. E aonde se encontravam? Exatamente na casa de João Marcos. Atos 12.12 vai dizer que a igreja estava reunida na casa de Maria, mãe de João Marcos, quando Pedro foi liberto da prisão. A igreja que estava sob perseguição.
A igreja que estava experimentando luto pela morte de Estevão, e luto pela morte de Tiago, que Herodes mandou decapitar. Estava escondida, e em oração. E onde estava? Na casa de João Marcos.
João Marcos era muito provavelmente uma pessoa ligada aos judaizantes. Aos que não eram muito simpáticos à inclusão dos gentios na comunidade cristã, ou, no mínimo, ele não era muito simpático à formação de comunidades mistas entre cristãos judeus convertidos e cristãos não judeus.
Esse encontro entre cristãos e judeus deu muito problema no cristianismo, e provavelmente João Marcos era um daqueles contados como da parte de Tiago, que chegam na Galácia, e trazendo uma postura mais refratária à inclusão dos gentios nas comunidades cristãs judaicas, e faz até com que haja uma briga entre Paulo e Pedro.
Porque o Pedro, quando estava entre os gentios, ele se comportava como gentio, mas Gl. 2.11-14, contam pra nós que, quando os da parte de Tiago, os mais judaizantes, chegaram na região da Galácia, o Pedro se comportou como um judaizante. Em outras palavras, o Pedro estava lá comendo um belo lombinho num churrasco, quando chegou um pessoal de Jerusalém da parte de Tiago, judaizante, o Pedro fingiu que não era com ele aquele lombinho que estava no prato. O Paulo vai repreendê-lo publicamente, vai demonstrar a incoerência do comportamento de Pedro, e vai se desentender também com o Pedro.
Porque esse João Marcos provavelmente está no meio dessa celeuma, e é um rapaz conservador nesta caminhada missionária. Ele não é muito favorável à presença dos gentios nas comunidades dos cristãos judeus convertidos. Provavelmente por esse choque de orientação missionária, missiológica, entre Paulo e João Marcos é que em Atos, capítulo 13.13, Lucas vai contar que no meio da primeira viagem missionária o João Marcos abandona a caravana, e especialmente essa dupla, Paulo e Barnabé, e volta para Jerusalém.
No final de Atos capítulo 11 lemos que os cristãos de Antioquia mandaram uma oferta para os cristãos da Judéia. Em Atos capítulo 15 lemos que Paulo e Barnabé foram para Jerusalém, para aquela grande reunião, e é ai que Paulo decide fazer aquela visita às igrejas, partindo de Jerusalém novamente.
É lá que eles encontram novamente João Marcos. Porque estão em Jerusalém. E o Barnabé então diz: - Vamos levar João Marcos.
Paulo diz: - De jeito nenhum. Primeiro que ele nos abandonou no meio da viagem. Segundo é um sujeito conservador, judaizante, vai atrapalhar a nossa trajetória missionária e o nosso ministério entre os gentios.
Barnabé diz: - Não, ele vai.
O Paulo diz: - Não, ele fica.
O v.39 diz que Paulo e Barnabé tiveram um desentendimento tão sério, que se separaram. Esta informação é muito importante porque Barnabé e Paulo eram muito provavelmente amigos de infância. Também na biografia de Paulo, apóstolo, é provavelmente pela conversão de Barnabé que Paulo se abre para a possibilidade de converter-se a Jesus Cristo.
Barnabé é quem primeiro acolhe o apóstolo Paulo na comunidade de Jerusalém. Quando Paulo se converte os apóstolos em Jerusalém não confiam muito na conversão de Paulo, acham que ele é um sujeito que está se infiltrando. Mas Barnabé avaliza a conversão de Paulo.
Em Atos 9.27 é Barnabé que traz Paulo para junto da igreja. Em Atos 11 é Barnabé quem vai buscar Paulo em Tarso, para trazê-lo para Antioquia, e eles dois juntos pastoreiam uma igreja que está em Antioquia.
A igreja de Antioquia comissiona os primeiros missionários, e são justamente Paulo e Barnabé. Então Barnabé não apenas influencia a conversão de Paulo, integra Paulo na comunidade cristã, insere Paulo no colégio apostólico em Jerusalém, promove a iniciação ministerial de Paulo, abençoa o comissionamento de Paulo para o seu ministério apostólico.
É muito interessante no capítulo 13 de Atos que os documentos antigos trazem sempre o nome mais importante citado primeiro. Por isso é que na igreja em Antioquia havia profetas e mestres. O primeiro nome citado é Barnabé, então, ele é o mais importante.
É por isso que a igreja envia Barnabé e Saulo. É por isso que no v.7 o proconsul, Sérgio Paulo, manda chamar Barnabé e Saulo. Mas é interessante que no v.13 de Atos 13, Paulo e seus companheiros navegam para Perge. O nome de Barnabé nem aparece mais. Não é mais Barnabé e Paulo. E nem mesmo Paulo e Barnabé. É Paulo e seus companheiros. Barnabé já é um dos companheiros. Já é uma figura que perde o seu protagonismo nessa história, de modo que nessa “briga” entre Paulo e Barnabé, em Atos 15, quando Paulo discorda de Barnabé a respeito de João Marcos, o Barnabé poderia jogar na cara de Paulo tudo o que havia feito por ele. Poderia dizer mais ou menos o seguinte:
- Paulo, você se lembra que quando você se converteu ninguém botava muita fé na sua conversão, e eu pus a mão no fogo por você? Você se lembra que nenhum dos apóstolos queria conhecer você, e dar a você acesso a intimidade da igreja em Jerusalém? Mas eu levei na primeira reunia sua com os apóstolos e eu apresentei você para Pedro, para Tiago? Paulo, você se lembra que você estava lá no fundo do cabo do Judas, lá em Tarso, abandonado, esquecido, e fui te buscar lá, pra trazer você para Antioquia? E fiz de você um líder da igreja de Antioquia junto comigo? Paulo, você se lembra que quando a igreja de Antioquia comissionou a primeira equipe missionária você estava comigo? Paulo, você se lembra que quando você começou a exercer sua liderança, eu dei um passo atrás e deixei que você florescesse e assumisse o protagonismo dessa igreja do livro de Atos? Bom, agora chegou sua vez de mostrar que você aprendeu alguma coisa, dar um passo para trás e trazer João Marcos. Porque desistiram de você, mas eu não desisti. Agora é hora você dar um passo na direção de João Marcos, dar uma chance a ele, dar uma oportunidade a ele, e fazê-lo florescer para o ministério, porque esse moço tem potencial, Paulo. Eu vejo isso é hora de você respeitar a minha antiguidade nessa igreja, e de você, por gratidão e respeito a mim, dar um passo para trás e levar João Marcos nessa viagem.
[continuação]
Provavelmente você teria um discurso mais ou menos como esse. Eu tive. Mas o Barnabé, não. Ele disse assim:
- Tudo bem. Eu acho que você tem razão. Eu não quero ser impecilho na sua caminhada missionária, na sua vocação de plantar igrejas entre os gentios. E se você acha que o João Marcos é um entrave, um embaraço, um tropeço, tudo bem. Segue seu caminho, e eu vou ficar com João Marcos.
É um momento de ruptura ministerial, mas não necessariamente um momento de ruptura relacional. No cap. 9 de 1 Co., v.6, o apóstolo Paulo reconhece a primazia de Barnabé e diz à igreja de Corinto que Barnabé é um exemplo a ser seguido.
Tudo indica que esse desentendimento sério entre Paulo e Barnabé não é uma ruptura relacional, é uma divergência ministerial. Tudo indica que isso não abala a relação pessoal entre Paulo e Barnabé, e provavelmente não abala a relação pessoal entre Paulo e João Marcos, porque eles se encontram depois.
Paulo e João Marcos são companheiros de prisão. Filemom v.24 e Colossenses, capítulo 4, vão dar conta para nós que João Marcos e Paulo inclusive ficam presos juntos. Provavelmente em Roma, então, aqui, não há um desentendimento relacional. Há uma divergência de estratégia ministerial.
Talvez isso já nos ensinasse que amigos podem discordar, sem deixar de ser amigos. Amigos podem desenvolver ministérios distintos, sem deixar de ser amigos. Amigos podem ter opiniões e vocações distintas, sem deixar de ser amigos.
E Paulo e Barnabé se separam. Uma separação que eu acho dolorosa, e quem sabe uma grande perda. Mas eles não conseguiram entrar em acordo.
Mas por trás de toda essa história, todo esse romance, eu penso que esse texto fala da importância de relacionamentos pessoais. E penso mais, eu penso que quase nada em nossa caminhada espiritual é tão importante quanto os nossos relacionamentos pessoais.
Eu queria oferecer a você três afirmações de aplicação dessa história:
A primeira é que o importante não é a tarefa que você desempenha, a atividade profissional que desenvolve, ou a carreira que absorve você, mas a qualidade dos relacionamentos que você constrói, enquanto você faz o que faz.
Eu penso que o que define a sua contribuição no reino de Deus não é o que você faz. É a qualidade dos relacionamentos que você constrói enquanto você faz o que faz.
Barnabé é muito interessante porque ele está servindo a igreja em Jerusalém, e ele descobre João Marcos. Atos, capítulo 12.12, diz que Barnabé descobriu João Marcos.
Atos 11 vai dizer que Barnabé é enviado pelos apóstolos até Antioquia para verificar o que está acontecendo em Antioquia, e ele se lembra de Saulo, seu amigo de infância, e vai buscá-lo em Tarso.
Dizem os estudiosos que a trajetória, o tempo necessário de navio entre Antioquia e Tarso, era aproximadamente três meses para ir, e três meses para voltar. Ele gasta seis meses para ir buscar um amigo. Ele não é tão preocupado com as tarefas, ele é preocupado com as pessoas.
No momento em que ele precisa escolher entre continuar cumprindo uma tarefa e permanecer ao lado de uma pessoa, ele escolhe permanecer ao lado de uma pessoa.
Quando você se pergunta assim: Ah! Eu não sei o que fazer no reino de Deus, eu não sei qual é a minha vocação. Eu não sei o que fazer para ser útil no reino de Deus, geralmente a sua pergunta diz respeito a uma tarefa, e eu arrisco dizer que você está com o foco na pergunta errada.
O Reino de Deus não é um Reino de tarefas, é um reino de relacionamentos.
Não importa se você está lavando louça, consertando um carro, dando aulas em uma universidade, recebendo uma pessoa em consulta médica, administrando uma empresa, se é caixa num banco. O que você tem a fazer no reino de Deus está bem ao seu lado, na pessoa mais próxima. É isso que você tem a fazer no reino de Deus.
Eu arrisco a dizer que nada é tão importante no Reino de Deus quanto as pequenas conversas que nós travamos, que pode ser num telefonema, numa troca de e-mails, enquanto aguardamos sentados ao lado de um amigo, num corredor de hospital, o resultado de um exame médico. São pequenas conversas.
As nossas vidas são feitas de pequenas conversas, a partir dos nossos relacionamentos.
Nada nos fere mais do que os relacionamentos e nada nos abençoa mais que relacionamentos.
Eu conheço muito poucas pessoas que abandonaram suas igrejas por causa de heresias. Mas eu conheço muitas pessoas que abandonaram suas igrejas por causa de relacionamentos quebrados, partidos, desapontamentos, decepções, frustrações relacionais.
Barnabé era uma pessoa que conseguia enxergar pessoas.
Eu gostaria que lá no céu me fosse comprovada a minha tese, que não é somente minha, de que Barnabé é o autor da carta aos Hebreus. Mas eu não sei se escrever a carta aos Hebreus foi a coisa mais importante que Barnabé fez.
Provavelmente colocar a mão no ombro do seu amigo Saulo, e dizer:
- Vem aqui, eu quero apresentar umas pessoas pra você.
Provavelmente bater na porta dos apóstolos e dizer:
- Gente, eu queria apresentar um amigo de infância pra vocês, e queria que vocês o recebessem com confiança, ele é meu amigo. Jesus o alcançou.
Provavelmente a coisa mais importante que o Barnabé fez foi parar tudo durante seis meses para ir buscar um amigo. Foi dizer ao Paulo:
- Tudo bem Paulo, continue plantando suas igrejas gentílicas. Eu vou dedicar um tempinho para o João Marcos, e vou voltar pra casa.
A segunda coisa que gostaria de oferecer é que uma pessoa é campo missionário grande o suficiente.
Nós fazemos grandes esforços para testemunhar o evangelho no Morro do Borel, na cidade de Iporanga, na comunidade quilombola de Pedro Cubas. Nós apoiamos a ação missionária no Senegal, em Angola, entre os atletas. Nós apoiamos com os nossos recursos e o nosso trabalho voluntário, pelo menos 30 organizações e projetos, a nossa rede solidária. Mas uma pessoa só é campo missionário grande o suficiente para nos tirar o sono, para nos colocar de joelhos, para fazer com que nós nos recolhamos em silêncio, escolhendo as melhores palavras, pensando como é que vou me comportar quando estiver com ela, o que vou dizer, o que vou calar. Pensando estrategicamente qual é a melhor hora de falar com meu filho, qual é a melhor palavra a usar nessa conversa com meu filho. Será que eu aviso antes que quero conversar com ele, ou pego de surpresa e já inicio a conversa. Será que começo elogiando? Será que eu abraço? Ou já começo disciplinando? Como é que eu faço?
Uma pessoa só é campo missionário grande o suficiente. É aquele seu colega de trabalho, é o seu chefe, seu funcionário, é sua esposa, seu marido.
Uma pessoa só exige tanta reflexão estratégica, tanta disciplina de oração, tanto zelo, tanto cuidado quanto a evangelização da Índia, da África, do Brasil. Vamos ganhar São Paulo pra Jesus! Talvez não seja tão difícil quanto ganhar um amigo para Jesus, ganhar um filho, uma filha, um marido, uma esposa, a sogra, o genro, a nora, a cunhada, para Jesus.
Não sei se é coincidência, mas muito provavelmente os dois versículos mais profundos que registram palavras de Jesus, registram conversas particulares e privativas de Jesus.
“Deus é espírito; e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade”. Jesus falou isso apenas a uma mulher. Foi numa conversa particular, porque uma pessoa só é campo missionário grande o suficiente.
“Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, pra que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. É palavra de Jesus a um homem só, Nicodemos, numa conversa privativa, na calada da noite.
Uma conversa na madrugada, entre amigos, faz uma diferença eterna, e penso que nós damos tão pouca atenção às nossas pequenas conversas.
Não podemos ser levianas nas nossas pequenas conversas. O horizonte de relacionamentos, o universo privativo de uma pequena conversa, num pequeno encontro, é um espaço sagrado que nós não podemos negligenciar.
-Mas Barnabé, nós temos que plantar igrejas entre os gentios. O Barnabé diz:
-Tudo bem Paulo, essa é sua vocação, siga seu caminho, eu vou cuidar do João Marcos. Esse moço já voltou pra atrás numa primeira viagem, e vai ser rejeitado na segunda viagem. Eu não posso deixá-lo pra trás. E de mais a mais, é meu primo. Eu vou pra casa, e vou com ele.
Eu não sei que peso pode ter no coração de Barnabé voltar para Chipre, porque Barnabé é natural de Chipre. Ele voltou para casa. E o Paulo? O Paulo foi para o púlpito, no domingo à noite, para ajoelhar-se, para que os irmãos impusessem as mãos e o enviassem como o grande missionário às igrejas gentílicas. E Barnabé? Voltou para casa, e levou com ele João Marcos, que era de Jerusalém, porque uma pessoa só é campo missionário grande o suficiente.
Se você acha que não está sendo útil no reino de Deus porque lhe falta uma tarefa, comece a pensar nas pessoas que estão ao seu lado. Comece a prestar atenção nos relacionamentos que você está construindo.
A terceira palavra que quero lhe oferecer é que a qualidade da sua vida está na proporção direta da qualidade das pessoas com quem você se relaciona, e da qualidade dos relacionamentos que desenvolve com essas pessoas. Porque nós podemos estar próximos de pessoas extraordinárias, mas não desenvolvermos relacionamentos profundos e relacionamentos extraordinários com as pessoas extraordinárias.
Podemos desenvolver relacionamentos superficiais. Por exemplo, a parábola do filho pródigo, conta a de um menino que vai embora, mas também conta de um menino que fica na casa de seu pai, ceando todos os dias com o seu pai, mas não assimila o caráter do pai, não absorve a grandeza do pai, não percebe a grandeza do seu pai, e não se sente parte da vida do pai. Está tão próximo de uma pessoa extraordinária, mas não tem com essa pessoa extraordinária um relacionamento extraordinário. Portanto, a qualidade da sua vida não depende apenas da qualidade das pessoas com quem você se relaciona, mas depende da qualidade do relacionamento que você desenvolve com as pessoas extraordinárias com quem você convive.
2 Tm 4.9-11:”Procure vir logo ao meu encontro, pois Demas, amando este mundo, abandonou-me e foi para Tessalônica. Crescente foi para a Galácia, e Tito, para a Dalmácia. Só Lucas está comigo. Traga Marcos com você, porque ele me é útil para o ministério”.
Esta me parece ser a coroação de Barnabé. Traga Timóteo, contigo, João Marcos, porque ele me é útil no ministério. O que existe entre o João Marcos rejeitado pelo Paulo na segunda viagem missionária, e o João que é útil para o Paulo, quando ele está na prisão em Roma? Existe Barnabé, um homem extraordinário, que desenvolveu com João Marcos uma relação extraordinária e vice-versa.
Separei algumas palavras do Henri Nouwen para compartilhar com você.
Não podemos ter uma vida espiritual sozinhos. A vida do espírito é como uma semente que precisa de terreno fértil para crescer. Este terreno fértil inclui não só uma boa uma disposição interior, mas também um ambiente favorável. É muito difícil viver uma vida de oração num ambiente onde ninguém ora, ou fala com carinho a respeito da oração. É quase impossível aprofundar a nossa comunhão com Deus quando aqueles com quem vivemos e trabalhamos, rejeitam ou até ridicularizam a idéia de que há um Deus que ama. É uma tarefa sobre-humana procurar fixar o coração no Reino de Deus quando todos aqueles que conhecemos e com quem convivemos têm o coração fixo em tudo, menos no Reino. Não é, portanto, surpresa nenhuma que as pessoas que vivem em ambiente secular, onde o nome de Deus nunca é mencionado, a oração é desconhecida, não se lê a Bíblia nunca, e a conversa sobre a vida no espírito é completamente ausente. Não é surpresa que essas pessoas não consigam aguentar a dimensão de comunhão com Deus por muito tempo. Descobri como sou sensível ao ambiente em que vivo, com a minha comunidade, as palavras sobre a presença de Deus na nossa vida brotam espontaneamente e com grande facilidade.
Quem são as pessoas com quem você convive, pergunto eu? Com quem as palavras sobre a presença de Deus na vida brotam com facilidade? E quem são as pessoas com quem você convive com quem as palavras de murmuração, as fofocas, as maledicências, as doenças mutuamente são retroalimentadas? Quem são as pessoas com quem você convive que só servem para ficar cutucando as suas feridas, e você cutucando as feridas delas? Quem são as pessoas com quem você convive que trazem para a mesa da conversa a Palavra de Deus? Trazem para a mesa da conversa a necessidade da oração e da intercessão? Que valorizam a comunhão?
Palavras de Henri Nouwen novamente: “Mesmo nessas ocasiões, a competição arraigada, muitas vezes inconsciente entre as pessoas, as impedem de se revelarem umas às outras e de estabelecerem relações que durem mais que a própria festa. Quantas relações que você tem que duram apenas o momento da festa? Onde somos sempre bem-vindos nossa ausência não importa muito. E onde todo mundo pode ir e é bem-vindo nenhuma ausência é particularmente notada. Geralmente há bastante comida e bastante pessoas para comer a comida, mas muitas vezes parece que a comida perdeu o seu poder de criar comunidade. Não raro saímos da festa mais conscientes de nossa solidão do que quando entramos”.
Eu lamento muito que esta fala do Henri Nouwen “Por que tantas festas e reuniões amigáveis nos deixam tão vazios e tristes?”, se aplique também a muitas das nossas celebrações, do que nós chamamos dos cultos. Por que muitas celebrações, cultos nos deixam tão vazios e tristes?
É porque nós não nos aproximamos das pessoas. Nós chegamos depois que começa e saímos antes de terminar. Nós não nos olhamos nos olhos, nós não intercedemos uns pelos outros. E quando perguntamos como você está, é uma pergunta politicamente correta, pro-forma, que não está esperando uma pergunta sincera.
Por que é que anos de convivência com igreja mantém pessoas tão superficiais?
É porque elas convivem com a igreja, mas não convivem sequer com um irmão, com uma irmã. Convivem com o auditório, mas não convivem com uma pessoa sequer. Não abrem o coração, não confessam seus pecados, não compartilham suas dores. Dão desculpas de que não encontraram. Mas na verdade, na minha opinião, é que são muito seletivas. Elas querem sim, compartilhar as suas dores, chorar, confessar pecados, conversar e desenvolver amizades. Mas com pessoas especiais.
Nós somos chamados por Deus a relacionamentos, porque no fundo, no fundo toda pessoa é especial.
James Houston, no seu livro Mentoria Espiritual, diz assim: “Tendo em vista seu objetivo de criar organizações inteligentes, muitas empresas hoje veem nos seus funcionários qualificados o seu maior patrimônio. A expressão feedback tornou-se palavra do momento no contexto dessa interação dinâmica. Pedir feedback, dar feedback, receber feedback, agir com base no feedback. Em última análise, os melhores funcionários não são simplesmente os mais qualificados tecnicamente, e sim, aqueles cujo maior grau de crescimento pessoal está comprometido com o futuro da empresa. O êxito de uma empresa depende, portanto, não só da lucratividade, mas também da eficácia de sua mão de obra. É por isso que se está investindo tanto em técnicas de mentoria”.
Esse dar feedback, receber feedback, oferecer feedback é mais ou menos assim: “Eu sinto que você reage desproporcionalmente às críticas que recebe. Você é uma pessoa não muito aberta a ouvir quem discorda de você. Eu acho que se você acolhesse mais uma crítica que é feita contra você, você iria crescer.
Feedback é quando uma pessoa oferece a você um olhar de fora sobre você. Mas essa pessoa precisa conviver com você, prestar atenção em você, ouvir você, ter informações a seu respeito. Ela precisa conquistar o seu respeito, a sua admiração e a sua confiança. Aí então, ela diz assim: “Posso lhe dizer uma coisa? E você diz: “Pode”.
A qualidade da sua vida depende da qualidade das pessoas com quem você convive e da qualidade dos relacionamentos que você constrói com quem você convive.
Eu perguntaria a você: Você tem amigos que põem o dedo na sua cara? Você é transparente o suficiente com as pessoas para que elas tenham como pôr o dedo na sua cara? Ou você vive com uma máscara toda vez que está em público, mesmo na presença das pessoas que lhe são mais íntimas?
Quero adiantar pra você uma coisa: É impossível viver com máscara na frente da mulher e dos filhos. Ninguém consegue ser um mascarado 24h por dia. E se seus filhos não põem o dedo na sua cara, numa relação espiritual, o que eu quero dizer, numa relação de amor e de ajuda, um dia eles vão virar a cara pra você.
Se as pessoas que convivem com você não têm liberdade, se você não as acolhe, não as recebe para que elas coloquem o dedo na sua cara, o que as empresas chamam de feedback, e que são superficiais no mundo corporativo, e que na igreja, na comunidade da fé, na comunidade cristã, as pessoas acabam virando as costas para nós e isso é pior do que ter um dedo na cara.
Elas perdem o respeito por nós, já não ouvem mais o que nós falamos. Já não se importam mais com a nossa companhia, porque nós vivemos mascarados. E você sabe, o Senhor, nosso Deus, não gosta de mascarados, e ele, cedo ou tarde, para o bem dos mascarados, faz com que a máscara caia.
Essa relação entre Paulo e Barnabé é adulta, é madura. Ela é profunda, é verdadeira. É nesta relação que acontece o que o autor dos Provérbios diz que “como o ferro ao ferro se afia, também o amigo ao seu amigo”. Eu sempre penso que ferro quando afia com ferro sai faísca, por causa do atrito.
Eu pergunto: Você é o tipo de gente que pula dos relacionamentos quando esquenta? Quando atrita? E quando sai faísca? Então, você não vai crescer. Porque você sempre vai encontrar alguém que vai achar bonitinha a sua máscara por algum tempo. Porque é verdade o que se atribui a Abraham Lincoln: “É possível enganar a todos por algum tempo, alguns o tempo todo, mas não é possível enganar todo mundo o tempo todo”.
Esta relação de Paulo com Barnabé me ensina muito sobre a superficialidade das nossas comunidades cristãs; a superficialidade das nossas vidas. Mas ensina também muito a respeito da possibilidade de profundidade das nossas vidas.
Não importa o que fazemos nessa grande comunidade cristã, importam sim, os relacionamentos que construímos enquanto fazemos o que fazemos.
Não importa quanta gente sabe de nós, porque uma pessoa só é campo missionário suficientemente grande, e talvez o maior desafio ou campo missionário mais desafiador que nós temos é a pessoa que está mais próxima de nós. Por quê? Porque a qualidade da nossa vida depende da qualidade das pessoas com quem nós nos relacionamos e da qualidade dos relacionamentos que desenvolvemos com as pessoas com quem nos relacionamos.
Eu encorajo você de todo o meu coração a ser transparente, autêntico, com uma, duas, três pessoas. Construir relacionamentos de autenticidade, de verdade. Pessoas com quem você não precisa usar máscaras para estar junto.
Eu encorajo que você encontre pessoas, amigos. Abra-se, conviva com elas como quem diz assim: Eu estou pronto a que você coloque o dedo na minha cara, porque eu respeito você. Você é meu amigo. Eu confio no seu amor e no seu interesse legítimo por mim, então, pode me confrontar. Eu confio em você.
Esse é o caminho do nosso crescimento espiritual, do aprofundamento da qualidade da nossa vida.
Eu oro a Deus que possamos dizer a respeito da ibab o que o apóstolo Paulo disse à igreja de Roma: “Meus irmãos, eu mesmo estou convencido de que vocês estão cheios de bondade, e plenamente instruídos, sendo capazes de aconselhar-se uns aos outros”.